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Internacional

Quarta-Feira, Dia 27 de Junho de 2018 as 18:06:33



ARGENTINA obtem empréstimo de US$ 50 BI do FMI



Argentina, Enfrentando a transição
 
 
• O governo argentino apertou as políticas macroeconômicas e solicitou ajuda financeira ao Fundo Monetário Internacional (FMI) em resposta à deterioração das condições financeiras. O acordo totaliza US$ 50 bilhões e é condicionado a metas fiscais ambiciosas para os próximos anos (embora a meta de déficit primário para 2018 esteja inalterada em 2,7% do PIB).
 
• Vemos agora a taxa de câmbio em 26 pesos por dólar em dezembro, em comparação com nosso cenário anterior de 25 pesos por dólar. Consequentemente, projetamos a inflação em 26,5% no fim deste ano, acima dos 23,5% em nosso cenário anterior. Mantivemos nossa projeção para a taxa básica de juros em 30% em dezembro, com cortes de juros ocorrendo apenas quando os mercados se estabilizarem de forma mais clara.
 
• Os ajustes necessários estão levando a uma desaceleração da economia. Esperamos que o PIB expanda 1,5% este ano, de 2,0% em nosso cenário anterior. 
 
• O cenário político está se tornando mais incerto com a queda da popularidade de Mauricio Macri (que depois se recuperou parcialmente). No entanto, o Cambiemos continua sendo a força política mais popular na Argentina, e a economia pode estar mais equilibrada no fim de 2019. Assim, nosso cenário base para a Argentina ainda é construtivo.
 
Conversando com o FMI
 
Um pacote do FMI está a caminho. O comitê executivo do Fundo aprovou um empréstimo de US$ 50 bilhões ao país.
 
No acordo, há a demanda por um ajuste fiscal mais ambicioso. O Tesouro segue comprometido com um déficit primário de 2,7% do PIB este ano, abaixo da meta de 3,2% definida antes da tensão recente nos mercados, mas a meta de 2,2% do PIB para 2019 caiu para 1,3% do PIB. 
 
Para 2020, o governo mira um déficit fiscal primário de zero. A moeda mais fraca e a inflação mais alta favorecem um déficit primário menor em 2018, mas uma consolidação mais rápida do que a atualmente projetada para 2019 provavelmente necessitará de medidas adicionais e mais estruturais.
 
De fato, o desempenho sólido da receita e o controle dos gastos discricionários já estão impulsionando o ajuste fiscal em 2018. Como resultado, o déficit fiscal primário está atualmente em torno de 3,3% do PIB (3,8% em 2017).
 
A moeda mais fraca e o menor crescimento da demanda interna este ano provavelmente levarão à diminuição do déficit externo. Projetamos um déficit em conta corrente de 3,8% do PIB (4,8% no ano passado e 4,0% em nosso cenário anterior para 2018).
 
Estimamos que a necessidade de financiamento externo da Argentina – definida como o déficit em conta corrente somado às amortizações de dívida em moeda estrangeira do governo federal (excluindo dívida com organismos multilaterais, cujo risco de rolagem é baixo) – totalize US$ 85 bilhões acumulados entre o segundo semestre de 2018 e 2020 (inclusive). 
 
Portanto, um pacote de US$ 50 bilhões mais as reservas líquidas da Argentina cobririam 90% da necessidade de financiamento externo no período.
 
 
Moeda mais fraca e tarifas mantêm inflação pressionada
 
O enfraquecimento do peso provavelmente manterá a inflação alta ao longo dos próximos meses. A consultoria Elypsis estima a inflação de maio em 2,8%. O IPC já registrou um aumento de 2,7% entre março e abril, refletindo uma nova rodada de reajustes tarifários.
 
Esperamos a taxa de câmbio em 26 pesos por dólar em dezembro, o que significa um peso 15% mais fraco que a média de 2017, em termos reais. Observamos que a depreciação do peso também irá desencadear aumentos adicionais nas tarifas de energia, uma vez que afeta os custos de produção de eletricidade e os preços pagos pelas distribuidoras de gás.
 
Consequentemente, ajustamos nossa projeção de inflação para este ano para 26,5%, de 23,5% anteriormente.
 
Com a inflação acelerando, é possível que as negociações salariais sejam retomadas. A maioria dos contratos salariais assinados este ano inclui um aumento de 15% nos salários e uma cláusula para rever o contrato mais à frente no ano se a inflação ultrapassar 15%.
 
Embora esse seja outro fator de risco para a inflação, acreditamos que a desaceleração esperada da economia não deixará espaço para compensações significativas pela inflação mais alta. Do lado negativo, isso pode levar a confrontos com os sindicatos, trazendo mais tensão ao ambiente político.
 
À medida que a inflação permanece alta, as taxas de juros continuarão significativamente mais elevadas do que no passado recente. O banco central (BCRA) manteve pela segunda vez consecutiva a taxa básica de juros (taxa repo de 7 dias) inalterada, em 40%, em sua última reunião de política monetária em maio. 
 
Mais uma vez, a autoridade monetária manteve um corredor amplo, com a taxa de empréstimo em 47% e a taxa devedora em 33%, algo que espera normalizar quando a instabilidade do mercado moderar.
 
Nossa projeção atual para a taxa básica de juros está em 30% em dezembro, porém não esperamos cortes dos juros em breve. De fato, considerando o ambiente ainda desafiador para os mercados emergentes e as vulnerabilidades da Argentina, novos aumentos dos juros não estão completamente descartados em nossa visão, com cortes dos juros ocorrendo apenas mais adiante no ano, quando os mercados se estabilizarem de forma mais clara.
 
 
Perdendo fôlego
 
Esperamos que a economia continue desacelerando de maneira acentuada nos próximos meses. O impacto da seca será mais forte no 2T18, enquanto as políticas macroeconômicas mais apertadas e os salários reais menores prejudicarão a demanda doméstica.
 
O ambiente internacional (os problemas no Brasil e as condições financeiras piores para os mercados emergentes) também é menos favorável. Recentemente, reduzimos nossa projeção de crescimento do PIB de 2,0% para 1,5% este ano. 
 
 
Cenário político mais incerto
 
A popularidade do presidente Macri caiu 9 pontos em maio, para 36%, de acordo com pesquisa divulgada pela consultoria Poliarquía. A queda da imagem presidencial, uma das mais acentuadas em uma longa série, reflete o impacto sobre o sentimento da população frente a fatores como o ajuste nas tarifas, a desvalorização do peso e o início das negociações com o FMI. 
 
Positivamente, uma pesquisa recente – também conduzida pela Poliarquía – indica alguma recuperação na popularidade (para 41%), embora a amostra seja menor do que a das pesquisas regulares.
 
Ainda assim, a desaceleração econômica, em meio a políticas macroeconômicas apertadas, combinada à inflação alta, representa um risco importante para as eleição presidencial do ano que vem. 
 
 
Cenário base arriscado, mas ainda construtivo
 
A Argentina continua sendo um país vulnerável a choques externos, devido ao amplo déficit em conta corrente e ao baixo nível de reservas (5% do PIB). No entanto, a solvência não é a questão principal (já que esperamos uma dívida líquida de 38,6% do PIB no fim deste ano), e o pacote do FMI reduzirá substancialmente os riscos de liquidez.
 
 
Mesmo com a queda recente na popularidade, nenhuma outra força política na Argentina tem mais apoio que o Cambiemos. Portanto, ainda é provável que o governo atual permaneça no poder após 2019, com uma economia mais equilibrada (isto é, déficits fiscal e externo menores e níveis moderados de endividamento).


Fonte: ITAÚ BBA Departamento Econômiico





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