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Investimentos

13 de Outubro de 2018 as 00:10:43



LOJAS RENNER Investor Day 2018 e Revisão de Preço



LOJAS  RENNER 
Investor Day 2018 e Revisão de Preço
Equity Research
 
Ciclo digital está em andamento, mas lojas seguem desempenhando papel importante
 
“Lojas de vestuário são como uma terapia para as mulheres” foi a frase usada por Galló durante o Renner Day para dizer que, embora a companhia esteja investindo muito em sua transformação digital, as lojas não serão deixadas de lado de modo algum. 
 
No evento anual com investidores, que aconteceu na semana passada, o management da LREN apresentou todas as iniciativas que têm sido feitas dentro da empresa para concluir a transformação digital. O foco é proporcionar uma melhor experiência de compra para o cliente em todos os canais de venda. 
 
Visando atingir essa meta, a companhia pretende aprofundar o conhecimento do cliente, ampliar o uso de análise preditiva no lançamento de coleções e melhorar a precisão no sortimento de produtos.
 
Na nossa visão, a Renner continua um passo à frente de seus competidores e deve seguir liderando a consolidação do mercado de vestuário no Brasil. Tendo isso em mente, elevamos nossas estimativas para os próximos trimestres, passando nosso preço alvo para 2019.
 
 
Dentro da Renner, o ciclo de “fast fashion” parece ter sido concluído... 
 
De 2016 até 2018, a companhia passou por uma transformação para se adaptar ao ciclo de “fast fashion”, acelerando o lançamento de novas coleções e a reposição de produtos dentro das lojas e com uma precisão ainda maior, visando reduzir o volume de descontos.
 
Neste sentido, a empresa investiu muito em novas tecnologias, como o sistema logístico do push & pull, além de estreitar seu relacionamento com fornecedores. Agora é hora de iniciar o “ciclo digital”, cujos pilares a empresa vêm construindo desde o início do ano passado.
 
 
… dando espaço para o “ciclo digital”. 
 
A implementação do sistema ERP, o lançamento de uma plataforma de e-commerce mais avançada e mudanças recentes feitas na plataforma de produtos financeiros são bons exemplos dos investimentos robustos que foram feitos nos últimos dois anos, com o intuito de preparar a companhia para o novo ciclo. 
 
A retirada em loja de compras realizadas no ambiente online já é uma realidade e representa 10% das vendas totais, com boas perspectivas à frente. Na Inditex, por exemplo, uma varejista de vestuário europeia que inspira a estratégia da Renner, mais de 30% das vendas online são retiradas em loja (chegando a 50% na Espanha). 
 
Alguns aplicativos também estão sendo testados dentro das lojas, tanto para os clientes quanto para os funcionários, como o POS de pagamento móvel, o pagamento digital via aplicativo exclusivo para clientes do cartão Renner, um aplicativo para checar a disponibilidade de produtos e outro para monitorar a performance de vendas em tempo real. 
 
Além disso, a Renner também contratou a consultoria Gartner para construir ferramentas tecnológicas customizadas para a empresa e criou um grupo de trabalho para analisar aquisições de start ups, sinalizando que ainda há mais inovação por vir. 
 
 
Marketplace, no entanto, está fora dos planos. 
 
No que se refere às plataformas de marketplace, a Renner prefere não participar de nenhuma delas, uma decisão com a qual concordamos. Em primeiro lugar, elas levam as marcas a perderem sua identidade e, em segundo lugar, porque as mulheres atualmente preferem maior agilidade e praticidade na hora de comprar, fatores que, de fato, o marketplace não oferece. 
 
Além disso, não temos observado a entrada em marketplaces dos competidores diretos da Renner. 
 
Dentro das plataformas de marketplace percebemos a presença de dois extremos no segmento de vestuário: 
 
(i) produtos básicos que possuem o mesmo preço ou 
(ii) marcas de produtos de alto valor agregado que adotam essa estratégia para desovar estoques que não conseguiram vender em outros canais. 
 
Na Camicado, por outro lado, a companhia pretende abrir seu website para outros vendedores visando complementar o sortimento de produtos.
 
 
Data driven decision, visão única do cliente e transformação omni são pontos chave na atual estratégia. 
 
Há muita coisa acontecendo dentro da companhia atualmente. Muitas iniciativas ainda estão em fase de piloto, enquanto outras já estão na fase de desenvolvimento. Dentre os planos estratégicos que estão atualmente em andamento em relação à data driven decision, destacamos o uso de análise preditiva na identificação de tendências de moda e erros no lançamento de coleções. 
 
Adicionalmente, o uso de algoritmos , junto com a implementação do RFID (Radio-Frequency Identification ), deve trazer uma maior inteligência para os processos de distribuição e sortimento de produtos dentro das lojas. RFID é uma tecnologia que possibilita escanear digitalmente milhares de produtos ao mesmo tempo (com cada um deles tendo uma identificação própria) e deve estar em 100% das lojas até o final de 2019, permitindo uma maior precisão no gerenciamento dos estoques e na reposição de produtos. 
 
Uma base única de clientes (incluindo todas as marcas e canais de venda), por sua vez, vai ajudar a melhorar a análise dos clientes e customizar ofertas. Ter uma base única de clientes, no entanto, só será possível através de uma estratégia omni-channel. A intenção da Renner é equalizar o nível de atendimento em todos os canais de venda, oferecendo todos os produtos e serviços nas mesmas condições, e proporcionando uma melhor experiência de compra para seus clientes.
 
 
As possibilidades são enormes quando falamos de transformação digital. 
 
No Brasil, o e-commerce ainda representa somente 5% das vendas totais do varejo, enquanto em países como China, Reino Unido e Estados Unidos, esse percentual chega a 20%, 16% e 12%, respectivamente. Mais que isso, o vestuário é responsável por apenas 6% das vendas online no mercado nacional (enquanto nos Estados Unidos atinge 15%). 
 
Quando consideramos todos os canais de venda do varejo, a penetração de vestuário e artigos esportivos no Brasil é de apenas 1%, contra 14% na China, 27% no Reino Unido e 13% nos Estados unidos. Como consideramos a Renner como sendo a varejista mais bem posicionada para liderar a consolidação do mercado de vestuário no Brasil, esperamos que a empresa se beneficie deste cenário nos próximos anos.
 
Ao mesmo tempo, é improvável que as lojas físicas sejam deixadas de lado no futuro. 
 
De acordo com um estudo da Mckinsey, até 2025, as lojas físicas ainda devem representar entre 75% e 85% das vendas totais do varejo no mundo. Durante o evento, o management da Renner mostrou ainda uma pesquisa feita pelo Merril Lynch que averiguou que mais de 70% dos consumidores de todas as idades (incluindo os millennials) continuam visitando lojas físicas, seja para “comprar na loja”, “pesquisar online e comprar na loja” ou “procurar na loja e comprar online”. 
 
Outra pesquisa divulgada pelo UBS em relação ao mercado norte-americano mostrou que a relevância de “ver, tocar e provar” é maior nas categorias de vestuário, artigos esportivos e acessórios (acima de 50%). Dito isto, não é uma surpresa que varejistas que outras eram originalmente online, como o Alibaba e Amazon, estejam agora investindo em lojas físicas. 
 
Nas nossas estimativas para a Renner, consideramos uma média de 59 aberturas de lojas ao ano até 2021, em linha com o plano de expansão da companhia. É fato que o formato da Lojas Renner já está presente nos principais shoppings do país, mas a empresa também tem ampliado seu escopo para cidades menores, acima de 100 mil habitantes, com lojas de formato de rua.
 
Além disso, novas marcas têm sido criadas ou adquiridas nos últimos anos, como a Camicado, a Youcom e a Ashua, o que também aumenta as possibilidades de expansão da companhia.
 
 
Resumindo, os canais online e offline devem caminhar juntos.
 
As empresas que possuem capacidade de implementar estratégias de omni-channel de forma bem-sucedida e ágil estão um passo à frente de seus competidores. Apenas para ilustrar a questão da agilidade dentro da Renner, enquanto levou oito anos para que a Inditex conseguisse implementar o RFID em sua operação, deve levar apenas três anos para que a Rener faça o mesmo. Outra vantagem competitiva do case de investimento da LREN é a diversificação de marcas. 
 
Sempre seguindo o racional de focar em mulheres das classes sociais alta e média, a Lojas Renner adquiriu a Camicado em 2011 e inaugurou lojas da Youcom em 2012. Este ano, a companhia apostou no segmento plus size e inaugurou lojas da marca Ashua.
 
Finalmente, a financeira também é um diferencial da companhia. A recente criação de uma plataforma própria de produtos financeiros deve dar maior flexibilidade para a empresa tanto na aprovação de crédito quanto no lançamento de novos produtos e serviços customizados. 
 
A emissão do cartão Renner, por exemplo, já pode ser feito de qualquer ponto da loja através de reconhecimento facial e a emissão digital é completada em apenas 4 minutos. Além disso, o próprio cliente pode emitir um cartão digital através do app “Quero Cartão Renner” em tempo real, o que é uma novidade entre as varejistas brasileiras.
 
 
Novas Estimativas 
 
Em nossas novas estimativas, os números para 2018 ficaram praticamente inalterados, exceto pelo lucro líquido (+13,9%), refletindo menores despesas com depreciação, seguindo a revisão feita pelo CPC 04 e 27 (desde dez/17), que aumentou a vida útil de ativos imobilizados, e impactou os números da empresa  acima do esperado. 
 
Também reduzimos nossa taxa efetiva de imposto de renda, seguindo a lei complementar 160/17, relacionada à dedução de imposto dos montantes considerados como investimentos em subsidiárias. Para os próximos três anos, elevamos nossas estimativas do top line ao bottom line frente às melhores perspectivas para o desempenho da companhia com base nas estratégias que foram anunciadas no evento. 
 
Assim, subimos nosso preço alvo para LREN3 para R$ 46,90, válido agora para o final de 2019, mantendo a recomendação de Outperform. Nosso WACC, por outro lado, aumentou de 9,8% para 11,0% em decorrência da nossa nova metodologia de cálculo, que considera o diferencial da meta de inflação entre Brasil e EUA ao invés do diferencial entre as inflações esperadas para cada país para o final do ano corrente. Na nossa visão, os principais riscos relacionados ao case de investimento da LREN são: 
 
(i)    uma retomada mais lenta que o esperado no mercado nacional; 
(ii)   falhas na execução do planejamento estratégico; 
(iii)  a sucessão ainda desconhecida do CEO José Galló e 
(iv)  oscilações cambiais acima do esperado (30% dos produtos vendidos são importados).
 
 
 
Confira no anexo a íntegra do relatório sobre LOJAS RENER, elaborado por MARIA PAULA CANTUSIO, Analista Senior do BB INVESTIMENTOS

Clique aqui para acessar o aquivo PDF

Fonte: MARIA PAULA CANTUSIO, Analista Senior do BB INVESTIMENTOS





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