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Editorial

05 de Novembro de 2018 as 06:11:12



EDITORIAL Venda da Embraer à Boeing traz Risco à Soberania sobre Espaço Aéreo



EDITORIAL  

A Venda da Embraer à Boeing põe em risco a Soberania sobre nosso espaço aéreo e a manutenção do domínio do conhecimento tecnológico aero-espacial acumulado no Cluster de São José dos Campos  

 

Na última 5ª feira, 01.11, o presidente eleito Jair Messias Bolsonaro declarou que dará permissão para a fusão da Boeing com a Embraer.

Há um consenso a respeito das presentes condições das forças de defesa do País:  ao Brasil falta defesa aero-naval adequada e suficiente. Não é por outro motivo que o governo norte americano tem feito doações de material bélico ao nosso País, buscando incentivar e seduzir os militares brasileiros a acolherem a recomendação trumpiana de invasão da Venezuela para deposição do presidente Maduro.

Assim, é incorreta e antinacional a avaliação de que a venda da Embraer à Boeing -- assim classificou essa operação o Ministério Público do Trabalho, venda e não joint venture !  --  seria um negócio de interesse e cunho exclusivamente privado.

Jamais. Trata-se, ao contrario, de tema de interesse da Segurança e Soberania Nacional. A duras penas -- em termos de aprendizado tecnológico e em termos de orçamento e  gasto público -- o País criou um formidável cluster aeroespacial em São José dos Campos, cluster que corre o risco de ser desmantelado por inteiro, não somente a partir da transferência aos EUA, por inteiro, das linhas  de montagem do avião cargueiro criado pela Embraer, o KC-390, mas também do Super Tucano e dos jatos comerciais.

Convem lembrar que esse cluster já produz radares, mísseis, turbinas e sensores,  bem como sistemas de dispensadores de chaff e flare e  sistemas de aviônica que estão 'no estado da arte'.

E a dilapidação desse cluster aero-espacial de São José dos Campos não para aí: as unidades fabris que atualmente operam no entorno da EMBRAER vêm recebendo desde 2015 repetidos convites de autoridades norte-americanas para mudarem-se para os EUA, com promessas de lá obterem benefícios fiscais, aquisições governamentais e maior escala de produção.

Destaque-se também o impasse que a venda da Embraer já traz ao acordo com a SAAB, que já abriu sua tecnologia do Gripen NG à Embraer ... tecnologia que passaria ao domínio da Boeing na  "JointVenture"  com a EMBRAER. Algo que já permitiria a denúncia do contrato dos caças Grippen NG pela SAAB.
 

Os US$ 4 Bilhões oferecidos pela Boeing à Embraer nada são diante da tecnologia moderna que a Embraer já detém e do incrível potencial de vendas apresentado pelo Super Tucano, pelo KC-390 e  pelos jatos comerciais da Embraer, que financistas e oportunistas de curto prazo insistentemente negam.

A saída é o governo federal fazer valer sua Golden Share e, na sequência empreender a aquisição de 51% das ações da EMBRAER por muito menos que isso, e viabilizar economicamente à EMBRAER e todo o cluster de São José dos Campos por meio de compras governamentais às três Armas. Por exemplo:

a) contratação de compra de outros 112 caças Gripen NG, de declarado interesse governamental, para complementar a frota de defesa à FAB e também para a Marinha, para construção desses caças exclusivamente no Brasil; com recursos sacados das Reservas Internacionais abundantes; de modo a aqui no Brasil serem gerados milhares de empregos diretos e indiretos e renda;

b) contratação à Embraer da modernização dos 40 caças-bombardeiros AMX 
remanescentes na FAB, produzidos nos anos 80 pela própria Embraer, e ainda por serem modernizados, para a FAB, bem como dos 12 caças SEAHAWK para a Marinha, para dar  continuidade ao processo de aprendizado tecnológico iniciado e ainda não concluso, notadamente na criação, adaptação e implantação de sistemas de aviônica nessas aeronaves caças; e para mantê-los ativos por mais 15 anos oferecendo segurança e soberania sobre o espaço aéreo brasileiro, enquanto os Grippen forem sendo parcimoniosamente  fornecidos pela fábrica da EMBRAER em Gavião Peixoto SP; e com a mesma fonte de recursos, de modo a gerar milhares de empregos diretos e indiretos e renda no Brasil e, principalmente, viabilizando a permanência no País dos quadros técnicos de altíssimo nível da EMBRAER;

c) contratação de compra de armamentos, mísseis, sensores, radares e equipamentos fornecidos por empresas do cluster de São José dos Campos, em tudo que no Brasil já puder ser contratado; e com a mesma fonte de recursos do item a, acima.

Para uma palavra final, estamos todos a assistir as Forças Armadas Brasileiras acomodadas com a Operação antinacional de venda da Embraer à Boeing e é de se perguntar: 

Porque e em que momento os militares brasileiros deixaram de ser nacionalistas ? Que espécie de fé no Brasil afirmam alguns ter, se nesse momento em que a Pátria é lesada, omitem-se ou parecem predominantemente apoiar a supremacia do acham tratar-se de "funcionamento normal de leis de mercado" na conveniente justificativa da absorção da Embraer pela Boeing, sobre o interesse nacional e a defesa do País ? 


Alguém duvida de que o Pentágono, como sócio da Boeing, esteja por trás dessa Operação de Venda da Embraer à Boeing, na qual, após a Venda/Joint Venture, a direção da EMBRAER não terá direito a voto nas decisões do Conselho Administrativo ? 

Onde está a auto-propalada Visão Estratégica dos militares brasileiros ?

Onde, a perspectiva realmente nacionalista da cúpula militar brasileira até o momento omissa no esfacelamento que se observa da Estratégia Nacional de Defesa ... e, porque também não afirmar, na entrega do Pré-Sal, da Petrobras e suas refinarias, da Amazônia, do aquífero Guarani  ?

Há alguém aí ainda achando que o grande problema do País é a corrupção ? O avanço tecnológico do País está sendo destruído, os recursos naturais estão sendo roubados, as universidades como centros de desenvolvimento de tecnologia estão fechando as portas. Os centros de pesquisa estão sem verba ! 

Alô. Tem alguem aí ? Onde, os nacionalistas ?



Fonte: da Redação JF





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