Home   |   Expediente   |   Publicidade   |   Cadastre-se   |   Fale Conosco             

Investimentos

Sábado, Dia 12 de Outubro de 2019 as 00:10:00



VALE Tour de Analistas e Investidores - Novo Preço-Alvo 2020e da Ação



Vale - Tour de Analistas e Investidores
Novo preço-alvo 2020e
 
No dia 02 de outubro, a Vale sediou seu Tour de Analistas e Investidores em seu escritório no Rio de Janeiro, trazendo uma visão atualizada sobre a Empresa após Brumadinho e o que esperar a partir de agora. 
 
A principal mensagem do evento foi como a Vale está se preparando uma economia mais verde, considerando os desafios inerente a sua atividade principal (extrativista) e as oportunidades que podem surgir com os pontos ambientais atualmente sendo endereçados.
 
Emborra acreditemos que a Vale esteja bem posicionada para criar valor aos seus stakeholders quando (e se) a hora chegar neste sentido, ainda vemos muitas variáveis e incertezas para considerar este como um movimento disruptivo. Contudo, na nossa visão, a Vale poderá, de fato, atuando como ator principal da indústria dado seu portfólio premium e sua enorme capacidade.
 
Trazendo a discussão para o presente, após os resultados e provisões do 1S19, vemos agora uma empresa mais previsível, mesmo que os riscos de uma legislação mais estrita no Brasil ainda não tenham sido superados ou suficientemente reduzidos.
 
Acreditamos que os preços das commodities metálicas continuem a ser afetados pelo cenário de guerra comercial, embora o MF possa ser beneficiado por uma forte demanda e menor disponibilidade de oferta, dados os eventos recentes. Com os preços de MF de volta a níveis não-especulativos, os prêmios devem melhorar (neste caso, também respondendo às questões ambientais), o que poderia limitar a perda de receita devido aos preços menores.
 
Adicionalmente, custos e despesas devem refletir os efeitos pós-Brumadinho, como despesas de parada e reparação, e os impactos de fretes mais elevados (com a regulação da IMO 2020 Sox). O Capex também deve aumentar dados os investimentos em descaracterização.
 
Assim, trazemos nosso preço-alvo 2020e para VALE US de US$ 16,00/ação (de US$ 15) e VALE3 de R$ 63,00/ação (ante R$ 55,50) e elevamos nosso rating para Outperform dado o alto upside para os preços correntes.
 
Dinâmicas de mercado: preços de MF voltando a níveis não-especulativos. A demanda pela commodity deve continuar forte, especialmente na China, já que a produção de aço continua a melhorar (+9.6% até agosto) e os controles ambientais tornam-se mais estritos, aumentando a busca por produtos de qualidade. 
 
Somado a isso, vemos a oferta ainda pressionada com a capacidade da Vale retornando ao longo de 2020 e 2021 e os produtores australianos ainda lidando com os efeitos pós ciclone Veronica. Ainda, como mencionado antes, a demanda por pelotas deve manter a tendência positiva, contribuindo para melhores preços realizados e maiores margens.
 
Abaixo, resumimos os tópicos discutidos no evento da Vale:
 
1. Flight to Quality impulsionando a demanda.
 
Com o avanço das preocupações relacionadas às questões ambientais e poluição, os países vêm tomando ações e implementando políticas mais restritivas para a emissão de gases. A Europa tem liderado este movimento, mas outros países já se comprometeram com um ambiente mais limpo em 2030-2050, como é o caso da China com a reforma de sua indústria siderúrgica endereçada recentemente. 
 
Na opinião da Vale, estes pontos levarão a uma maior sofisticação de consumo de matérias-primas, contribuindo para melhores oportunidades de expandir seu portfolio premium. Isto posto, a empresa introduziu seu novo produto, o GF88 IOCJ moído para uso nas pelotizadoras.
 
2. Metálicos: nova abordagem para a indústria de aço mais verde. 
 
Os desafios de uma economia mais verde também passam pelo processo de produção de aço, de acordo com a Vale. Os dois principais processos atuais (BF-BOF e EAF) leva a preocupações não apenas com relação à emissão de CO2, mas também ao aumento de sucata obsoleta. 
 
Assim, os metálicos poderiam ser uma solução em termos de pureza química para as siderurgias, contribuindo para menor emissão de CO2 por meio de alternativa para fontes de carbono. Neste sentido, a Vale está avaliando metálicos como oportunidade a ser adida ao seu atual portfolio premium, como por exemplo a tecnologia Tecnored.
 
3. De-risking da Vale.
 
O processo de resgatar a imagem da Vale após Brumadinho é baseado em quatro principais áreas: 
 
(i) a restauração de Brumadinho, a qual já está em curso, com mais de US$ 6 bi provisionados, 
(ii) assegurar as barragens e a integridade dos ativos, com a Vale acelerando o descomissionamento das estruturas no Brasil,  
(iii) estabilização da produção e alavancagem da competitividade, com a volta da produção e redução de custos e, por último, 
(iv) sólida geração de fluxo de caixa, o que, em nossa opinião, poderá trazer surpresas agradáveis em termos de remuneração aos acionistas
 
Dinâmicas de mercado: preços de MF voltando a níveis não-especulativos
 
A demanda pela commodity deve continuar forte, especialmente na China, já que a produção de aço continua a melhorar (+9.6% até agosto, de acordo com a WSA), contra todas as expectativas de uma desaceleração econômica no país asiático. Neste sentido, apesar dos dados apontearem para um crescimento de PIB menor, a produção de aço continua robusta. Na nossa opinião, este pode ser o reflexo de estímulos do governo, mas também da estratégia chinesa de financiar projetos de infraestrutura ao redor do mundo, beneficiando siderúrgicas locais. 
 
Um bom exemplo disto é a estratégia OBOR (Um cinturão, uma rota) que já mencionamos em nossos relatórios. O projeto OBOR consiste em uma massiva rede entre dúzias de países, com o potencial de beneficiar 4,4 milhões de pessoas, de acordo com as autoridades chinesas. O país está disposto a gasta ~US$ 1 trilhão em investimentos em projetos de infraestrutura, como ferrovias, rodovias, portos e outros.
 
Adicionalmente, o controle ambiental fica mais rigoroso, aumentando a busca por produtos de qualidade.
Do lado da oferta, a vemos ainda pressionada com a capacidade da Vale voltando apenas ao longo de 2020 e 2021 e os produtores australianos ainda lidando com os efeitos pós ciclone Veronica. Além do mais, a demanda por pelotas deve manter a tendência positiva, contribuindo para melhores preços realizados e maiores margens.
 
Com relação a preços, acreditamos que os níveis vistos logo após Brumadinho foram reflexos de especulação e, assim, devem voltar ao nível ‘normal’ de ~US$ 90/t até o fim deste ano. Para 2020, dado o retorno de ~30mt das operações de Alegria, Timbopeba e Fabrica da Vale e a normalização da oferta dos peers australianos, vemos os preços médios caindo para ~US$ 85/t (ante US$ 95/t em 2019).
 
Contudo, da mesma maneira que vimos os prêmios de qualidade encolherem durante o pico dos preços de MF 62, acreditamos que os mesmos recuperem parte da perda, embora não ficando nos US$ 40/t observados em 2018, mas mais perto de ~US$ 20/t. Os níveis de estoques nos portos chineses também caíram, estando agora perto dos níveis de 2016, o que poderia ajudar a manter os preços de Mf em níveis elevados.
 
Flight to quality impulsionando a demanda
 
Com o avanço das preocupações relacionadas às questões ambientais e poluição, os países vêm tomando ações e implementando políticas mais restritivas para a emissão de gases. A Europa tem liderado este movimento, mas outros países já se comprometeram com um ambiente mais limpo em 2030-2050, como é o caso da China com a reforma de sua indústria siderúrgica endereçada recentemente.
 
A indústria siderúrgica é fortemente responsável pela emissão de CO2 globalmente, especialmente no caso de usinas mais antigas e ineficientes, como algumas na China, antes da reforma. 
 
É importante mencionar que a reestruturação endereçada no campo siderúrgico chinês tirou do mercado usinas ineficientes e direcionou novas para mais perto da costa, também contribuindo para menores custos logísticos e poluição.
 
Contudo, de acordo com os números de 2018, a indústria chinesa representa 48% de toda a produção mundial de aço e é responsável por 63% de todos os gases emitidos pela indústria, ao passo que Europa e América do Norte produzem juntas 19% do aço global, mas são responsáveis por apenas 9% das emissões da indústria.
 
Resultado de usinas novas, mais limpas e eficientes e de regulações mais rigorosas em termos de questões ambientais. 
 
Com as questões de poluição crescendo na China, a demanda por produtos de maior qualidade disparou na mesma proporção, já que menos usinas tiveram que continuar produzindo a mesma quantidade de aço de antes da reforma. Isto deu origem ao movimento “Flight to Quality” que temos discutido.
 
Agora, outro mercado parece estar surgindo. Dadas as ambiciosas metas para 2030 em termos de emissões de gases, a indústria siderúrgica europeia tem um grande desafio para a próxima década ao buscar soluções para reduzir a emissão por meio de processo e, ainda, manter a lucratividade.
 
Na opinião da Vale, estas questões levarão a uma maior sofisticação em consumo de matérias-primas, contribuindo para melhores oportunidades para expandir seu portfólio premium. Baseados nisso, a companhia introduziu um novo produto, o GF88 (moído de IOCJ) para uso em pelotizadoras, com o fornecimento de qualidade e volume consistentemente estáveis.
 
Juntamente com o GF88 (ainda não comercializado), a Vale conta, atualmente, com outros produtos de alta qualidade, como IOCJ, BRBF e pelotas. Alguns outros produtos estão sob estudo para serem desenvolvidos juntamente com os clientes, como o Gusa ‘verde’ e HBI (Hot Briquetted Iron). Algumas tecnologias também vêm sendo desenvolvidas para redução de emissões:
 
Metálicos: nova abordagem para a indústria de aço mais verde
 
Os desafios de uma economia mais verde também passam pelo processo de produção de aço, de acordocom a Vale. Os dois principais processos atuais, tais como BF-BOF (Blast Furnace – Blast Oxygen Furnace) e EAF (Electric Arc Furnace) levam a preocupações não apenas com relação à emissão de CO2 e o envelhecimento das usinas, mas também à limitação técnica para remover contaminantes da sucata e o aumento da sucata obsoleta.
 
Assim, os metálicos poderiam ser uma solução em termos de pureza química para as siderurgias, contribuindo para menor emissão de CO2 por meio de alternativa para fontes de carbono. Dentre os produtos que podem ser usados durante o processo, listamos duas principais famílias: óxidos de ferro e metálicos.
 
Estes primeiros são minérios naturais ou processados reduzidos para produzir ferro metálico; subprodutos conhecidos são o sínter feed, pellet feed, granulado e pelotas, nos quais a Vale já opera.
 
Com relação a metálicos, estes são produtos contendo alto percentual de ferro metálico usados na produção de aço. Dentre eles, temos 
 
(i) sucata – material de aço reciclado obtido na fabricação, 
(ii) gusa sólido – ferro fundido, produto de altos-fornos ou direct smelting, vendidos como insumo para terceiros,
(iii) DRI – produto da redução direta de pelotas DR ou granulado com uso de CO e H2, obtido de gás natural ou carvão e 
(iv) HBI – Hot Briquette Iron, DRI compactado aumentando a densidade, manuseio e facilitando transporte. 
 
Ao usar fontes alternativas de carvão, as siderúrgicas podem contribuir para economia de CO2. Outro benefício dos metálicos diz respeito ao uso de usinas antigas que poderiam sustentar seus níveis de produção e minimizar investimentos para reforma.
 
Neste sentido, a Vale avalia os metálicos como uma oportunidade de adicionar mais um produto ao seu portfolio premium, por meio, por exemplo da tecnologia Tecnored, que consiste em usar materiais como finos, pellet feed e biomassa para transformá-los em briquete de óxido de ferro ou briquete de energia, fabricando o gusa sólido verde. 
 
A empresa já conta com uma planta industrial de 75 mtpa em São Paulo e está na etapa de engenharia de uma planta de 500 mtpa. A empresa lembrou, ainda, que a produção de pelota de redução direta é restrita devido à qualidade de pelotas e que a Vale é líder neste sentido.
 
Confira no anexo a íntegra do relatório preparado por GABRIELA E CORTEZ, analista senior do BB Investimentos.
 


Fonte: GABRIELA E CORTEZ, analista senior do BB Investimentos.





Indique a um amigo     Imprimir     Comentar notícia

>> Últimos comentários

NOTÍCIAS DA FRANQUEADORA E EMPRESAS DO SEGMENTO


  Outras notícias.
SLC AGRÍCOLA - Resultado no 3º trimestre/2019  Resultado Líquido Negativo 16/11/2019
SLC AGRÍCOLA - Resultado no 3º trimestre/2019 Resultado Líquido Negativo
 
JBS - Resultado no 3º Trimestre/2019:  Fortes Resultados 16/11/2019
JBS - Resultado no 3º Trimestre/2019: Fortes Resultados
 
MVR - Resultado no 3º trimestre /2019: Mudança de Direção 13/11/2019
MVR - Resultado no 3º trimestre /2019: Mudança de Direção
 
GUIA DE AÇÕES Conheça aqui as cotações de 13.11 Avalie se convém Investir 13/11/2019
GUIA DE AÇÕES Conheça aqui as cotações de 13.11 Avalie se convém Investir
 
O MERCADO, 13.11: Ibovespa cai com ruídos entre EUA e China. Dólar sobe R$ 4,185 13/11/2019
O MERCADO, 13.11: Ibovespa cai com ruídos entre EUA e China. Dólar sobe R$ 4,185
 
EMBRAER - Resultado no 3º trimestre de 2019: NEUTRO 13/11/2019
EMBRAER - Resultado no 3º trimestre de 2019: NEUTRO
 
O MERCADO, 12.11: Ibovespa cai 1,49% a 106.751 pts. Dólar sobe a R$ 4,116 13/11/2019
O MERCADO, 12.11: Ibovespa cai 1,49% a 106.751 pts. Dólar sobe a R$ 4,116
 
O MERCADO, 11.11: Ibovespa sobe 0,69% a 108.367 pts. Dólar cai a R$ 4,142 12/11/2019
O MERCADO, 11.11: Ibovespa sobe 0,69% a 108.367 pts. Dólar cai a R$ 4,142
 
SANTANDER BRASIL  Resultados no 3º trimestre/2019: NEGATIVOS 09/11/2019
SANTANDER BRASIL Resultados no 3º trimestre/2019: NEGATIVOS
 
BRF  Resutados no 3º trimestre de 2019: POSITIVOS 09/11/2019
BRF Resutados no 3º trimestre de 2019: POSITIVOS
 
Escolha do Editor
Curtas & Palpites