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Editorial

30 de Outubro de 2019 as 01:10:44



EDITORIAL - Reservas Internacionais, Banco Central inicia a torra



A oferta das Reservas Internacionais brasileiras ao mercado cambial do País expandirá os recursos cambiais gerenciados pelos grandes bancos e suas receitas. Sedimenta-se a suspeita de manipulação do mercado de câmbio futuro para promover a queda das cotações, viabilizar compras cambiais a preços baixos pelos bancos, no primeiro momento, como se observou em 29.10.
 
A atuação do BC brasileiro é um tanto diferente daquela empreendida por bancos centrais em outros países. Muitos deles modelam suas políticas monetárias, de controle da expansão da moeda, de gestão das taxas juros e de controle do câmbio, de modo a viabilizar o crescimento econômico e a busca do pleno emprego em seus países, tal como o FED, o banco central dos EUA. 
 
O Banco Central do Brasil, por sua vez, sequer resvala nessa preocupação: atua quase que exclusivamente na gestão da moeda e controle da inflação. Não interfere na jogatina especulativa realizada pelos grandes conglomerados bancários que atuam no mercado de câmbio futuro do País, fonte de cerca de 30% dos lucros fenomenais obtidos pelos grandes bancos, reconhecidamente determinante das cotações das moedas estrangeiras frente ao Real. 
 
O BC também não ousa interferir na livre atuação dos grandes conglomerados bancários que cobram juros escorchantes em suas operações de crédito e tarifas elevadas na prestação e serviços.
 
Protegido pelo BC contra as ingerências do CADE Conselho Administrativo de Defesa Econômica, por determinação do STF, o oligopólio bancário tem livre atuação e até certo apoio do BC ao justificar a sangria que promove nos demais segmentos da economia, como resultante da inadimplência de empresas e pessoas físicas tomadoras de empréstimos.
 
E, pior, neste mês de outubro de 2019, o BC promoveu grande mudança na sua forma de exercer algum controle sobre as instabilidades do mercado de câmbio brasileiro. A presente atuação do BC na regulação do câmbio, a partir deste outubro/2019, se dá por meio venda efetiva das reservas internacionais brasileiras para suprir os bancos e demandantes de moedas 
 
Isso quer dizer que a demanda cambial dos bancos comerciais autorizados a operar no câmbio passou a ser suprida com as reservas internacionais do Brasil: (a)  a fuga de capitais e (b) o encerramento de negócios de grandes empresas multinacionais no País; (c)  as remessas exorbitantes de seus lucros às matrizes em dificuldades; (d) o abandono por aplicadores estrangeiros das operações internacionais na B3, a bolsa de valores do Brasil.
 
Por trás desses fatores, certamente encontra-se a descrença empresarial, brasileira e internacional, em relação à capacidade do governo Bolsonaro de reativar a economia do País. De igual forma a movimentação de capitais provenientes do Brasil em direção aos EUA, em resposta à máxima de Trump, America First.
 
Assim, a demanda de moedas conversíveis para atender essas finalidades passou a ser suprida, neste mês de outubro/2019, com a venda de divisas internacionais provenientes das reservas internacionais administradas pelo BC.
 
Presidido no governo Bolsonaro por um ex-diretor do Bradesco, o Banco Central do Brasil deflagrou assim a torra dos recursos que têm mantido o País infenso aos ataques especulativos dos fundos de investimentos internacionais, nos últimos 15 anos.
 
Paralelamente, encontra-se em curso uma forte investida política para que o BC obtenha a plena liberdade de atuação, a independência do Banco Central, o que inclui o domínio completo das reservas internacionais brasileiras sob seu inteiro desígnio. 
 
Em pouco tempo poderemos ter notícias preocupantes do BC com relação ao nível das Reservas brasileiras, movimentadas para atender o livre-cambismo demandado pelo sistema financeiro e patrocinado pelo Banco Central.
 
Sob crise política permanente desde as eleições presidenciais de 2014 e descrédito do presidente da República eleito em novembro/2019, o Brasil encontra-se, neste outubro/2019, sob fuga de capitais, com investimentos empresariais em suspenso e gigantesca taxa de desemprego.
 
Ademais, o País está por inteiro despreparado para enfrentar a nova crise econômica internacional antevista para eclodir a qualquer momento,  capitaneado politicamente por um estagiário na presidência da República e por um economista xiita, ultrapassado e inerte no comando do ministério da Economia, cuja única estratégia é a devastação das estruturas da economia do País para nada colocar em seu lugar, exceto o "livre jogo das leis de mercado". 
 
Intelectualmente fragilizado pela crendice do deus mercado salvador que irá retornar, sem nunca ter vindo e sustentado o crescimento econômico do País, o ministro da Economia confia que essa Entidade irá redimir a economia brasileira de suas mazelas.
 
Assim, nenhuma política pública idealizou até o momento, aos 10 meses de governo, sob o argumento da pretensa manifestação inexorável e da eficácia de mecanismos naturais de ajuste e equilíbrio da economia. 
 
Mais recentemente, o ministro cuja competência ainda está por se comprovar, capacidade de negociação e confiabilidade, pediu paciência ao empresariado e ao povo brasileiro e declarou que os efeitos das "reformas da economia"  -- que estão destruindo o sistema de proteção social erigido pela Constituição de 1988 --  se farão sentir apenas no último ano do governo Bolsonaro ou talvez no próximo governo.
 
Nada em que se possa acreditar. Sua estratégia é de apenas gerar oportunidades de negócios ao empresariado privado,  seja nas privatizações e na reforma da previdência, seja na reforma trabalhista, seja também, agora, na venda das reservas internacionais brasileiras para a ampliação das operações cambiais e elevação das receitas dos grandes bancos nessa área de negócios.


Fonte: DA REDAÇÃO JF





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