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Internacional

12 de Fevereiro de 2020 as 01:02:11



DEPARTMENT OF COMMERCE exclui BRASIL da Lista de Nações em Desenvolvimento



Medida faz parte de uma "política nacionalista" de Donald Trump e se traduz em "perda" com "impacto nas exportações" brasileiras.
 
Na 2ª feira, 10.02, o Departamento de Comércio dos EUA divulgou nota em que  anunciou que 23 países estavam deixando sua lista de países em desenvolvimento, o que pode diminuir benefícios comerciais dessas nações, como por exemplo vantagens tarifárias no comércio internacional. 
 
Além do Brasil, estão no grupo desclassificado pelo governo estadunidense a China, a África do Sul e a Índia, entre outros. A medida também aumenta o poder de investigação do governo dos EUA sobre políticas de subsídios a exportações adotadas por outros países – o que poderia levar Washington a adotar punições contra tais práticas.
 
Segundo Luiz Carlos Prado, economista e professor da UFRJ Universidade Federal do Rio de Janeiro, em entrevista à SputnikNews, a retirada do Brasil da lista dos países em desenvolvimento, pelo governo estadunidense, faz parte de uma "política nacionalista" de Donald Trump e se traduz em "perda" com "impacto nas exportações" brasileiras.
 
Boa relação com os EUA 'não fez diferença'
 
"Os EUA concediam para países em desenvolvimento a possibilidade de exportar determinados produtos em condições mais favoráveis, ou seja, com tratamento preferencial. Trata-se, portanto, da retirada desses benefícios para países que os EUA passaram a considerar que têm um grau avançado de desenvolvimento",
 
explicou Prado.
 
O especialista afirmou que a "alegada boa relação do governo brasileiro com os EUA, na prática, não fez nenhuma diferença". Ele critica a postura do governo Bolsonaro em relação ao tema.
 
"O problema não é a ação dos EUA, que não é especificamente contra o Brasil. O problema é que não há nenhum movimento do governo [brasileiro] de defesa dos interesses do Brasil nas relações bilaterais com os EUA ou outros países. É como se a expansão do comercio internacional não tivesse a menor relevância para o governo",
 
afirmou o economista.
 
'País nenhum abre mão de vantagens econômicas'
 
Durante a visita do presidente Jair Bolsonaro a Washington em março de 2019, Trump declarou que para poder entrar na OCDE Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico, o Brasil teria que abrir mão das preferências na OMC Organização Mundial do Comércio.
 
O atual governo brasileiro vem lutando para entrar na OCDE, diferentemente dos governos anteriores que, embora convidados pela direção da Organização, mantiveram o País como mero observador na Organização, descompromissado com a adoção de políticas recomendadas pela OCDE.
 
Para Luiz Carlos Prado, "país nenhum abre mão de vantagem nas relações econômicas internacionais".
 
"Embora você tenha o discurso de que o governo brasileiro é nacionalista, esse é o governo menos nacionalista desde pelo menos a década de 50. Desde o pós-guerra nunca houve um governo com uma postura de tão pouca defesa dos interesses brasileiros na esfera internacional",
 
criticou.
 
Retirada foi 'natural'
 
No entanto, para o economista Raul Velloso, a retirada do Brasil da lista dos países em desenvolvimento era algo "natural", quase uma "obrigação".
 
"Minha impressão é de que seria inevitável. Ao adquirir certo patamar de reconhecimento, ao cogitar entrar na OCDE, temos de entender que isso contém junto a necessidade de atualizar nosso posicionamento. Não há como evoluir numa classificação e nas demais algo parecido não acontecer",
 
disse o secretário de Assuntos Econômicos do Ministério do Planejamento durante o governo José Sarney.
 
'Progressão de posicionamento'
 
Segundo ele, ao pleitear o ingresso em entidades internacionais como a OCDE, é preciso "assumir as vantagens e responsabilidades que vem naturalmente em conjunto com uma espécie de progressão de posicionamento".
 
"Temos que evoluir para cima em tudo, e encarar isso como certa obrigação de nos posicionar dentro dos padrões aceitáveis do mundo em que nós vivemos, num mundo em que estamos mais integrados, mundo dos países que professam certas crenças e agem muito próximo de um modelo de economia mais aceitável",
 
argumentou.
 
Brasil era visto como país 'inferior'
 
Segundo Velloso, os benefícios que o Brasil tinha por estar na lista dos países em desenvolvimento se perdiam no momento em que o País era visto como uma nação "inferior".
 
"Se havia vantagens isso ocorria ao mesmo tempo em que havia uma avaliação subjetiva de que países como o nosso eram inferiores. Agora estamos pagando um preço, que não me parece ser tão relevante assim, para ser visto de uma maneira mais qualificada e relevante no cenário mundial",
 
afirmou Raul Velloso.
 
NOTA DA REDAÇÃO JF.
 
Em sua avaliação, Velloso deslisa ao largo da abordagem dos prejuízos comerciais trazidos pela política bolsonariana de alinhamento automático ao governo Trump. Contraria debilmente a crítica generalizada à subalternalidade da política externa brasileira aos EUA, articulada esta sem qualquer reciprocidade do governo estadunidense. Iludido em auto-engano, demonstra que a 'babação de ovo' de B-17/38 e de seu 'posto ipiranga', em suas declarações de amor a Trump e aos EUA, respectivamente, possa ser negligenciada ou, até, ser encarada, nos EUA ou em algum outro lugar do planeta, como afirmação da nacionalidade brasileira e alguma redenção moral da imagem do País.
 
A subalternalidade aos EUA trazida pelo governo Bolsonaro, sob a inaceitável complacência dos militares brasileiros, ela, sim, transformou o Brasil em um "pais inferior" fazendo a vergonha do Povo Brasileiro que, até pouco antes, durante décadas, teve orgulho de ser brasileiro e vinha sendo respeitado internacionalmente como uma grande nação, até ser rendido pela troupe do mercado, vitoriosa contra os interesses do Povo Brasileiro no golpe de estado de 2016.  


Fonte: SPUTNIK NEWS. Com chamada de capa e copidescagem da Redaçao JF





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