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Internacional

27 de Outubro de 2020 as 23:10:23



NOVO START - EUA e Rússia tentam salvar Acordo de Limitação de Arsenal Nuclear



O Ministério das Relações Exteriores da Rússia apresentou proposta aos EUA, em que aceita o congelamento dos arsenais nucleares mútuos e prorrogação do acordo Novo START por um ano, aquele acordo assinado por Obama e Medvedev em abril/2010
 
Moscou e Washington tentam salvar o último acordo de controle de armas nucleares em vigor no mundo. Ao aceitar o congelamento de armas nucleares táticas por um ano, a Rússia se mostrou "comprometida a fechar um acordo" com a administração Trump, garante especialista.
 
Rússia e EUA correm contra o relógio para garantir a extensão do acordo de controle de armas nucleares estratégicas Novo START, que expira em fevereiro de 2021.
 
Após a retirada dos EUA de diversos acordos de controle de armamentos, como o Acordo de Céus Abertos e o Tratado de Forças Nucleares de Alcance Intermediário, o Novo START é o último acordo de controle de armas nucleares em vigor no mundo.
 
Assinado durante os mandatos dos presidentes Barack Obama e Dmitry Medvedev, o Novo START limita o número de armas nucleares estratégicas instaladas dos EUA e da Rússia.
 
Armas nucleares estratégicas são aquelas com alto poder de destruição e destinadas a atingir alvos longínquos.
 
Após meses de impasse, a administração Trump parece ter flexibilizado sua posição para poder fechar um acordo com os russos antes das eleições norte-americanas de 3 de novembro.
 
Demandas colocadas pelos EUA, como a inclusão da China no tratado, foram aos poucos relegadas para segundo plano.
 
No dia 20 de outubro, Moscou deu um passo importante nas negociações ao aceitar a proposta de Washington de estender o acordo Novo START por um ano, com congelamento total de seus arsenais nucleares pelo mesmo período.
 
"A Rússia fez uma concessão muito séria, porque concordou não só com o congelamento do arsenal nuclear estratégico, mas também do tático",
 
disse o diretor do programa Política Externa Russa da Escola Superior de Economia de Moscou, Dmitry Suslov, à Sputnik Brasil.
 
Segundo ele, Rússia é tradicionalmente contra negociação sobre limites para armas nucleares táticas, uma vez que os EUA mantêm essas armas na Europa e se negam a limitar outros fatores que influenciam a estabilidade estratégica mundial, como os sistemas de defesa antimísseis.
 
"Essa é a primeira vez que a Rússia aceitou manter suas ogivas táticas nos níveis atuais, enquanto os EUA não se comprometeram a congelar, por exemplo, seus sistemas de defesa antimísseis, a colocação de armamentos no espaço, ou armamentos estratégicos convencionais de alta precisão",
 
notou Suslov.
 
Por isso, Suslov acredita que "a possibilidade de os americanos aceitarem a proposta é bastante grande".
 
"Washington já havia proposto estender o Novo START por um ano e congelar o potencial nuclear de ambos os países, o que nos dá tempo para conduzir negociações sobre um novo acordo para substituir o Novo START."
 
França e Reino Unido, China, Israel, Índia, Paquistão, 
 
A concessão russa, no entanto, não implica que o acordo futuro entre EUA e Rússia deve incluir as armas nucleares táticas.
 
"Acredito que, assim que iniciarem as negociações para o acordo pós-START, a Rússia voltará para sua posição oficial inicial",
 
disse Suslov.
 
Para a Rússia, em primeiro lugar, "se for para incluir a China nas negociações, então [Moscou quer] incluir todos os outros países nucleares".
 
"Putin deixou bem claro durante seu recente discurso no [clube de discussões de] Valdai que, caso seja necessário incluir a China, precisamos incluir não só os demais membros oficiais do clube nuclear, isto é, França e Reino Unido, mas também os países nucleares de fato, como Índia, Paquistão e Israel",
 
lembrou o especialista.
 
Os EUA haviam colocado como pré-condição para a extensão do Novo START a participação da China nas negociações.
 
Com as relações entre Washington e Pequim em um dos seus piores momentos da história moderna, os norte-americanos solicitaram que a Rússia convencesse os chineses a aderir ao acordo.
 
Essa tarefa se mostrou bastante difícil, não só por a China ter reiterado que não tem interesse no acordo, mas também pelo seu arsenal nuclear ser estimado em 290 ogivas, comparado com as 6.185 ogivas de Washington e 6.500 de Moscou, de acordo com o Instituto Internacional de Pesquisa sobre a Paz de Estocolmo (SIPRI, na sigla em inglês).
 
Negociar com Trump
 
A administração Trump não fez segredo sobre seu interesse de estender o acordo Novo START antes das eleições presidenciais de 3 de novembro.
 
Em desvantagem em relação a seu opositor, Joe Biden, Trump receberia bem um trunfo diplomático para reforçar seu discurso de campanha.
 
O candidato do Partido Democrata, no entanto, havia sinalizado à Rússia que estaria pronto para estender o acordo não por um, mas por cinco anos, sem pré-condições.
 
Para Suslov, o fato de Moscou ter feito concessões agora indica que
 
"a Rússia tem interesse em negociar a extensão do acordo Novo START com a administração Trump".
 
"Em parte, isso seria um presente [da Rússia] para Trump no processo pré-eleitoral",
 
acredita o especialista.
 
"Por outro lado, passa a mensagem de que a Rússia fala sério quando diz que tem interesse em manter o regime de controle de armamentos."
 
Ao negociar com Trump, a "Rússia adota o famoso 'mais vale um pássaro na mão do que dois voando'" e mostra que "é um parceiro capaz de fazer concessões, com o qual se pode negociar".
 
"E não podemos excluir totalmente a possibilidade de uma reeleição de Trump, apesar de Biden estar realmente com uma vantagem significativa"
 
na corrida pela Casa Branca, reconheceu Suslov.
 
Próximos passos
 
Apesar da euforia inicial causada pela aquiescência de Moscou à proposta dos EUA, a extensão do acordo Novo START ainda não está garantida.
 
As partes devem acordar um mecanismo de controle para verificar se, de fato, estão cumprindo o congelamento de seus arsenais nucleares.
 
"Criar um mecanismo de inspeção em um período tão curto é realmente um problema",
 
reconheceu Suslov.
 
"No caso de controle das armas nucleares táticas, é praticamente impossível."
 
Segundo ele, desenvolver um mecanismo de controle sobre os vetores de armas nucleares táticas, isto é, os mísseis que carregam as ogivas nucleares dessa categoria, tampouco parece factível.
 
"Isso porque os vetores de armas nucleares táticas são híbridos, ou seja, são usados tanto para armamentos nucleares quanto para os convencionais",
 
lembrou Suslov.
 
Mecanismo de Controle Mútuo de Armamentos
 
Para ele, uma saída seria "realizar uma simples troca de declarações, na qual as partes expressam quantas armas com ogivas nucleares táticas cada uma tem".
 
"Mas não tenho tanta certeza de que isso será aceitável para a administração Trump. No entanto, a uma semana das eleições, acho que não temos alternativa", 
 
disse o especialista.
 
De fato, em entrevista ao portal Politico, o conselheiro de Segurança Nacional da administração Trump, Robert O'Brien, notou a importância dos mecanismos de verificação para o sucesso das negociações.
 
"Acredito que podemos fechar um acordo, caso sejamos capazes de estabelecer um mecanismo de controle para o congelamento",
 
disse O'Brien.
 
Para o conselheiro de Trump, nas negociações de acordos de controle de armamentos "o diabo mora nos detalhes".
 
No dia 20 de outubro, o Ministério das Relações Exteriores da Rússia apresentou aos EUA uma proposta, na qual aceita o congelamento dos arsenais nucleares mútuos e prorrogação do Novo START por um ano.
 
O Departamento de Estado dos EUA solicitou nova reunião entre os negociadores para debater a proposta, ainda sem data marcada.
 
O acordo Novo START foi assinado em abril de 2010, entre os então presidentes dos EUA e Rússia, Barack Obama e Dmitry Medvedev. O acordo estipula que cada parte limite a 1.550 o número de ogivas nucleares estratégicas instaladas.


Fonte: Donald Trump e Vladimir Putin





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