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Internacional

18 de Outubro de 2021 as 01:10:29



PESTE SUÍNA confirmada nas Américas, às portas dos EUA, há 2 meses



Os EUA se preparam para proteger sua indústria suína
A República Dominicana foi acusada de usar um surto de Peste Suína Africana para eliminar os produtores menores
 
Uma pandemia está silenciosamente varrendo todo o mundo – e não é Covid-19. Desde que a Peste Suína Africana (ASF) foi confirmada nas Américas há mais de dois meses, a doença suína mortal está agora em 6 continentes e na porta dos EUA.
 
Amostras colhidas na República Dominicana deram positivo para ASF em julho e no vizinho Haiti, em setembro.
 
O vírus não afeta humanos ou qualidade de carne, mas é uma sentença de morte quase certa para os porcos. Está em pânico a indústria suína dos EUA – no valor de US$ 23 bilhões (£17 bilhões) por ano. América Latina está em alerta e os produtores de carne de porco na República Dominicana e no Haiti são assombrados por memórias da erradicação financiada pelos EUA de toda a sua população de carne suína quando a ASF atingiu pela última vez há mais de 40 anos.
 
Pequenos produtores, o alvo
 
Rigoberto Echavarría, um suinocultor dominicano, teve seu negócio destruído pela perda de todo o seu plantel em agosto último, depois que funcionários enviados pelo Ministério da Agricultura seguiram diretriz inicial do governo para matar todos os porcos em pequenas fazendas nos hotspots afetados e aqueles num raio de 5 km do surto. O massacre aconteceu sem testes prévios para o vírus.
 
Relatos locais dizem que pelo menos 1.000 porcos foram mortos naquele mês na província de Santiago Rodríguez, onde vive Echavarría. Mas outro fazendeiro acha que as mortes vão além de 10.000.
 
As contas de mídia social mostram pessoas locais atirando pedras em um veículo do governo carregado com porcos mortos protegidos por militares armados.
 
Alguns pequenos produtores de carne de porco se uniram para evitar que as equipes chegassem às suas fazendas.
 
Mas, para Echavarría, era tarde demais. Sua fazenda fica no noroeste da República Dominicana, a 70km da fronteira com o Haiti, por onde suspeita-se que a doença entrou na ilha. Mas, como muitos em sua província, Echavarría acredita que seus 130 porcos eram saudáveis, e questiona se fazendas maiores estão sendo alvo do programa do governo da mesma forma. Ele pergunta:
 
"Os porcos do meu amigo rico também não adoecem?"
 
Falando ao Guardian, um oficial do governo afirmou que 73.000 porcos foram mortos de uma população de porcos estimada em 1,8 milhões. O tamanho das fazendas afetadas não foi divulgado, mas os números sugerem que a fazenda média tinha apenas 25 porcos.
 
Política Anti-Povo ...
 
O Dr. Rafael Nuñez Mieses, diretor de saúde animal do Ministério da Agricultura, atribui a uma "falta inicial de equipamento" a destruição de rebanhos de pequenos agricultores, sem testes prévios para o vírus. A estratégia mudou mais tarde.
 
Um veterinário do governo na província de Santiago Rodríguez, que pediu para falar anonimamente, diz:
 
"Se o equipamento de teste tivesse chegado antes, não teríamos que sacrificar tantos porcos. Esta é uma área de pequenas fazendas."
 
Mas um relatório técnico inédito obtido pelo Guardian revela que a diretiva para matar porcos em pequenas fazendas sem testes prévios fazia parte de um plano do governo para controlar a ASF, apoiada pela Organização Regional Internacional para a Saúde Agrícola e pela Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura.
 
"Num raio de 5 a 10 km de cada surto, seguindo as diretrizes descritas no plano de emergência, todas as fazendas de quintal devem ser sacrificadas (não as industriais), independentemente de estarem livres de infecção".
 
diz o documento.
 
... deliberada
 
Dr. Francisco Israel Brito, presidente da Federação Dominicana de Produtores de Suínos, confirma isso.
 
"Inicialmente, havia uma política de eliminar os pequenos produtores para conter a doença. Mas então ficou claro que, mesmo assim, as fazendas maiores não poderiam escapar do vírus, já que estava em todo o país.
 
"E o governo percebeu que seria muito caro, então eles decidiram se concentrar nas áreas de hotspot em vez disso."
 
Os agricultores foram compensados pelas mortes dos porcos uma taxa de mercado de 120 pesos dominicanos/kg  (US$ 2,13), mas os erros do governo dominicano não ajudaram a aliviar a desconfiança dos agricultores.
 
A comunidade internacional está em alerta para a ASF há anos. A República Dominicana sediou uma conferência internacional em Punta Cana em 2018, onde a ASF estava na ordem do dia. As amostras, que haviam sido colhidas já em abril, não foram testadas para ASF até julho, dando ao vírus tempo de sobra para se espalhar.
 
O governo dominicano foi rápido em apontar o dedo para pequenos agricultores na fronteira em junho. Mas um relatório oficial publicado mais tarde pela Organização Mundial para a Saúde Animal diz que o primeiro surto do país foi, em abril, no centro do país, onde a maioria das fazendas de carne suína em escala industrial estão sediadas.
 
Em um relatório recente, a ONG internacional Grain afirma que o governo dominicano está aproveitando a pandemia de suínos para eliminar fazendas menores, seguindo um padrão semelhante ao que relatou na China como resultado da variante ASF que vem devastando estados da antiga União Soviética desde 2007 e que se espalhou para a Ásia em 2018.
 
A retórica do governo dominicano alimentou a narrativa de que os pequenos produtores operam ilegalmente e não possuem os padrões de higiene e nutrição para manter a doença afastada.
 
Na América Latina, os porcos traspatio – ou quintal – são tradicionalmente criados alguns de cada vez, amarrados a um poste na parte de trás de uma modesta moradia onde eles bebem restos de comida. Em 1978, a ASF supostamente chegou à República Dominicana através de sobras de carne de porco de um voo da Europa, servido como alimento para um porco de quintal fora do aeroporto.
 
O governo dominicano classifica todas as 28.000 pequenas e médias fazendas com diferentes padrões de higiene e nutrição como fazendas de quintal. Mas os pequenos e médios agricultores,  com quem The Guardian falou,  não alimentaram seus porcos com restos de comida e também não os deixaram vagar em aterros sanitários. E eles estavam cientes dos riscos de transmissão da doença.
 
"Ninguém trabalha nesta fazenda, exceto eu e um empregado. Ninguém mais visita minha fazenda",
 
diz Echavarría.
 
Nuñez Mieses reconhece que há "não mais de 100 fazendas" em todo o país que cumpram os protocolos de biossegurança "conforme descrito no manual".
 
"Esta doença é uma oportunidade para a indústria suína se organizar".
 
afirmou Mieses.
 
O Dr. Francisco Israel Brito, presidente da Fedoporc, federação dominicana de produtores de carne suína, confirma que o governo estava inicialmente "protegendo" as cerca de 400 fazendas industriais que produzem 70% de toda a carne suína dominicana.
 
Mas ele também reconhece que, assim como o coronavírus, a ASF não discrimina, dizendo:
 
"Afeta os mais humildes e os mais poderosos"
 
Os EUA anunciaram recentemente US$ 500 milhões em financiamento para apoiar atividades relacionadas ao combate à ASF na República Dominicana e no Haiti, mas um surto dos EUA não é impensável. Mais de 2 milhões de dominicanos vivem nos EUA e a República Dominicana é um destino popular para turistas americanos. A ASF viaja bem em carne curada na bagagem, bem como em restos de carne de porco crus em barcos e aviões.
 
Se falhar na República Dominicana o plano de conter a doença, focando-se em pequenos agricultores, então o plano B é destruir toda a população suína, como em 1979, quando ocorreu uma erradicação apoiada pelos EUA, seguida por uma no Haiti em 1982. Isso protegeria a indústria suína dos EUA e geraria um aumento maciço nos 27% do consumo dominicano de carne suína que vem principalmente dos EUA.
 
Vacina dos EUA
 
Um vislumbre de esperança reside no recente desenvolvimento pelos EUA de um potencial candidato a uma vacina contra a ASF. Em 30.09.2021, o Serviço de Pesquisa Agrícola do Departamento de Agricultura dos EUA (USDA-ARS) anunciou que uma de suas candidatas à vacina contra a peste suína africana (ASFV) revelou-se adequada para prevenir e proteger efetivamente suínos criados na Europa e na Ásia contra a atual cepa asiática que circula o vírus.
 
O início da imunidade foi revelado em aproximadamente um terço dos suínos após a 2ª semana de vacinação; e a proteção total em todos os suínos, até a 4ª semana.
 
Até o momento, o USDA-ARS projetou e patenteou com sucesso 5 vacinas experimentais ASF e executou totalmente 7 licenças com empresas farmacêuticas para desenvolver essas vacinas. O USDA-ARS continua avaliando parceiros comerciais adicionais para desenvolver essas vacinas. Confira AQUI.
 
CONFIRA em THE GUARDIAN  a íntegra da matéria em inglês


Fonte: THE GUARDIAN e Depto Agric e Pesquisa dos EUA. Tradução e copidescagem da Redação JF





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