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Investimentos

30 de Outubro de 2021 as 18:10:30



VALE - Resultado no 3º trimestre/2021 - Aquém do esperado



VALE - Resultado no 3º trimestre/2021
 
Aquém do esperado
Por Mary Silva, CNPI
29.10.2021
 
Apesar da expectativa de um resultado mais fraco no 3T21, após a divulgação do Relatório de Produção e Vendas do 3T21 pela Empresa na última semana, cujos volumes vieram em geral abaixo de nossas projeções, os números reportados foram ainda aquém do esperado. 
 
Esse desempenho reflete principalmente a deterioração do cenário para minério de ferro, que se materializou em preços médios realizados inferiores para a Vale no período, resultando em uma receita inferior ao 2T21, que somados a custos de produção mais elevados, principalmente em função do impacto de fretes elevados e combustíveis, levaram a margens operacionais inferiores. 
 
Outro efeito inesperado foi o impairment (ajuste do valor contábil ao valor recuperável) que zerou o valor dos ativos de carvão – pelos quais a empresa segue recebendo indicações de interesse por potenciais compradores e uma proposta vinculante pode estar próxima, segundo a companhia.
 
O ajuste levou a um impacto negativo (não caixa) de R$ 2 bilhões no resultado, levando a um lucro líquido bastante aquém de nossas estimativas. 
 
Como fator positivo, além da evolução na retomada de produção, observamos a continuidade da forte geração de caixa e a reiteração da empresa de seu compromisso com a disciplina financeira e de capital, que permitirão a consistência em dividendos e novos programas de recompra de ações – como o recém anunciado – para os próximos períodos. 
 
Assim, ponderando esses e outros aspectos do resultado, mantemos nossa recomendação de Compra e preço-alvo 2022e de R$ 125 para VALE3 e US$ 24,00 para VALE US.
 
Desempenho operacional  (análise em destaque pela redação do JF)
 
►  A combinação de efeitos variados resultam em redução de receita e margens:
 
O resultado mais fraco no 3T21 está relacionado à deterioração do cenário para minério de ferro, com redução da demanda na China e queda acentuada dos preços da commodity
 
As cotações foram impactadas por uma combinação de fatores, tais como a determinação pelo governo chinês de redução de produção de aço no país em 2021, a desaceleração do ritmo de crescimento da economia chinesa e o caso da incorporadora Evergrande, que trouxe ainda mais volatilidade ao setor desde o mês de setembro. 
 
Essa conjuntura se materializou em preços médios realizados de US$ 142,5/t para a Vale, 29,5% inferiores em relação ao 2T21 (US$ 202/t). Além disso, houve redução dos prêmios de qualidade em comparação ao trimestre anterior (para US$ 6,6/t, ante US$ 8,4/t no 2T21). 
 
Vale mencionar, ainda, que parte da redução dos preços médios foi causada pela forte diferença de preços provisórios e realizados em parte do volume em aberto ao final do 2T21 e do 3T21, já que as cotações tiveram queda acentuada no encerramento dos períodos, com impacto negativo na receita estimado em US$ 1,5 bilhão – a receita de minerais ferrosos foi de US$ 10,7 bilhões (-25,3% t/t). 
 
A pressão de custos se intensificou no 3T21, com os desafios logísticos em todo o mundo e os elevados preços de combustíveis impulsionando os fretes marítimos. 
 
Apesar de ter majoritariamente contratos de longo prazo, os custos unitários sofreram impactos pela parcela de frete spot que compõe o mix da companhia. O EBITDA ajustado do segmento foi de US$ 6,7 bilhões (-37,0% t/t) e a margem EBITDA ajustada de 62,6% (-12 p.p. t/t).
 
O segmento de metais básicos, cujas operações foram fortemente impactadas por paralizações, refletiu em seus números os efeitos da queda de volumes de venda, já que, desta vez, os preços médios de níquel e cobre não foram suficientes para compensar a redução dos embarques, havendo assim menor diluição de custos fixos. 
 
A receita líquida foi de US$ 1,6 bilhão e o EBITDA ajustado de US$ 505 milhões (-27,8% e - 41,7% t/t, respectivamente), com margem EBITDA ajustada de 32,1% (recuo de 7,6 p.p. frente ao 2T21). 
 
No consolidado, a receita líquida atingiu US$ 12,7 bilhões (-23,9% t/t) e o EBITDA ajustado US$ 6,9 bilhões (-37,1% t/t), com margem EBITDA ajustada de 54,7% (-11,5 p.p t/t e retornando abaixo do patamar do 3T20).
 
Com relação à segurança das operações, a empresa continua mostrando avanços graduais, como a conclusão da descaracterização de barragens, que devem somar 7 estruturas em 2021, contribuindo para a melhora gradativa do risco de novos rompimentos.
 
Desempenho financeiro continua mostrando disciplina
 
Além do desempenho operacional mais fraco, o lucro líquido da Vale no 3T21 ficou aquém do esperado. Como já mencionado, a última linha da DRE refletiu o impacto de US$ 2 bilhões de redução do valor de ativos de carvão a zero, o que nos surpreendeu, dado o conhecido processo de venda das operações de carvão em andamento. 
 
Além disso, os preços de carvão estão atrativos, proporcionando geração de caixa positiva, após um longo período de operação no vermelho. Cabe ressaltar que a contabilização não tem efeito caixa. Com isso, o lucro líquido foi de US$ 3,9 bilhões, uma redução de 48,8% ante o 2T21. 
 
Alavancagem 
 
Com relação à alavancagem, a dívida bruta se manteve estável em relação ao saldo ao final do 2T21 (~US$ 12 bilhões), e a dívida líquida expandida fechou o 3T21 em US$ 13,8 bilhões, um avanço de US$ 2,9 bilhões sobre o 2T21, em função de maiores desembolsos de caixa para pagamento de dividendos e recompras de ações, parcialmente compensados pela geração de caixa no período, que ainda permaneceu robusta. 
 
A empresa tem meta de permanecer abaixo de US$ 15 bilhões de dívida líquida expandida e reiterou seu compromisso de manter a disciplina financeira e de capital, de forma a cumprir:
 
i)    seus compromissos com os investimentos em retomada de produção e em segurança ambiental, 
ii)   os acordos de reparação de Brumadinho e 
iii)  incrementar o retorno aos acionistas via dividendos e programas de recompra.
 
Sobre estes últimos, a empresa reafirmou sua intenção de continuar a manter a consistência dos pagamentos e a lançar novos programas, caso entenda que se trata do melhor investimento de capital considerando as cotações de suas ações. 
 
Desempenho da ação
 
Após um período de forte valorização acompanhando o cenário favorável do minério de ferro, as ações da Vale acumulam queda de 15,7% em 2021 refletindo o arrefecimento da demanda pela commodity na China e as incertezas com relação à indústria siderúrgica no país no próximo ano. Entre elas, detacamos: 
 
(i)    a continuidade das restrições de produção de aço impostas pelo governo chinês; 
(ii)   o ritmo de crescimento da economia, se refletindo na demanda de aço; e
(iii)  impactos do caso Evergrande no setor imobiliário chinês (como, por exemplo, piora de ratings do setor como um todo, limitando acesso a capital para financiar seu crescimento). 
 
Em nossa visão, a volatilidade das cotações do minério de ferro e, consequentemente, da Vale e demais mineradoras, deve continuar até que o cenário de demanda e preço para 2022 esteja mais claro. 
 
Vale destacar que os múltiplos continuam descontados em relação aos pares australianos e abaixo do patamar histórico da ação e que as perspectivas de retorno via dividendos e recompra de ações podem contribuir para que os papéis sigam atrativos nos próximos períodos. 
 
Assim, por ora, mantemos nossa recomendação de Compra e preço-alvo 2022E de R$ 125 para VALE3 e US$ 24,00 para VALE US, e continuamos monitorando o cenário para incorporarmos novas perspectivas, à medida em que as incertezas sobre o setor se dissipem.
 
Confira no anexo a íntegra do relatório a respeito, elaborado por 
por MARY SILVA, CNPI, analista senior do BB INVESTIMENTOS

Clique aqui para acessar o aquivo PDF

Fonte: MARY SILVA, CNPI, analista senior do BB INVESTIMENTOS





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