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Investimentos

30 de Maio de 2022 as 08:05:36



LOJAS DE DEPARTAMENTO - Revisão de Preço-Alvo das Ações em Bolsa - Incorporação do Resultado do 1T22


LOJAS DE DEPARTAMENTO
Revisão de Preço: Incorporação dos Resultados do 1º Trimestre/2022
 
Georgia Jorge, CNPI
26.05.2022
 
Incorporamos os resultados do 1T22 e atualizamos as premissas macroeconômicas na avaliação da Americanas (AMER3), Magazine Luiza (MGLU3) e Via (VIIA3), companhias de departamento do nosso rol de coberturas.
 
Apesar de algumas das nossas estimativas terem sofrido ajuste positivo, como é o caso das vendas em lojas físicas da Americanas e a elevação das margens operacionais da Magazine Luiza e da Via, dado o foco das companhias em priorizar rentabilidade à crescimento em um cenário macroeconômico ainda adverso, nosso preço-alvo para o final de 2022 das três companhias foi reduzido, refletindo, principalmente, a elevação da taxa de desconto e das despesas financeiras líquidas.
 
Nesse cenário, nosso novo preço-alvo para AMER3 é de R$ 27,40 (antes R$ 35,60), para MGLU3 é de R$ 4,40 (antes R$ 7,50) e para VIIA3 é de R$ 4,10 (antes R$ 5,40).
 
Desempenho das Ações.
 
Os papéis AMER3, MGLU3 e VIIA3 apresentam performances similares nos últimos 12 meses, com quedas acentuadas em torno de 62%, 81% e 74%, respectivamente.
 
A forte desvalorização observada nessas ações refletiu a piora das expectativas em relação à redução da inflação a partir de meados de julho do ano passado, quando os dados de indicadores de inflação começaram a surpreender os analistas e investidores de forma negativa. 
 
Com isso, observamos nos meses seguintes uma redução no ímpeto de compra dos consumidores, que se refletiu em vendas inferiores às estimativas no 2S21, bem como a elevação da taxa de juros básica, que vem afetando o consumo doméstico, o qual também está sendo impactado pela inflação persistentemente alta. 
 
Contudo, em relação ao desempenho mais recente das ações (últimas 30 dias), observamos uma assimetria entre a performance de VIIA3 (+1,0%) e as demais empresas (AMER3 -17% e MGLU3 -32%). Ao nosso ver, o comportamento das ações de VIIA3 refletem uma surpresa positiva quando da divulgação dos resultados do 1T22, em especial no que se refere ao ganho de margem EBITDA na comparação anual, o que permitiu compensar parcialmente a elevação das despesas financeiras líquidas. 
 
Na ponta oposta, o desempenho das ações MGLU3 nos últimos 30 dias está muito atrelado à contabilização de prejuízo no 1T22 e que, dado o histórico da companhia em conseguir combinar crescimento com rentabilidade, decepcionou os investidores.
 
Perspectivas
 
No que se refere ao contexto macroeconômico, contemplamos no valuation um cenário ainda bastante árduo para o consumo doméstico, em especial de bens duráveis, dada a manutenção de ambas a inflação e a taxa de juros em níveis elevados. Contudo, entendemos que essa conjuntura deve impactar de forma diversa os resultados de Americanas, Magazine Luiza e Via. 
 
No que se refere às vendas em lojas físicas e 1P (venda on-line com estoque próprio), consideramos que a Americanas leva vantagem frente às demais companhias, dada a elevada diversificação de produtos de menor valor agregado em suas lojas, com uma exposição a bens duráveis inferior à da Magazine Luiza e da Via, o que a torna mais resiliente nesse cenário de pressão sobre a renda do consumidor. 
 
Já quando analisamos as vendas em marketplace, consideramos que tanto Americanas quanto Magazine Luiza, vêm apresentando evolução positiva. Ao observamos as vendas realizadas nesse canal ao longo dos últimos anos, o que já torna a base comparativa bastante forte, o crescimento entregue no 1T22 nos parece bastante favorável. 
 
Na ponta oposta, esperávamos que a Via – que vinha de uma base comparativa em termos de valores absolutos inferior a de seus pares – mantivesse crescimento mais robusto por um período mais longo, mas cuja desaceleração das vendas do marketplace nos últimos trimestres nos leva a questionar a capacidade da Companhia em manter esse canal de vendas relevante ao longo dos próximos anos. 
 
O que pode mudar esse cenário são os investimentos que a Via vem realizando no desenvolvimento de uma estrutura logística que atenda tanto os sellers do seu marketplace, quanto de marketplaces concorrentes, e que pode contribuir para acelerar esse canal de vendas. 
 
Já em relação à rentabilidade em 2022, destacamos a operação da Americanas ante a de suas concorrentes, que deve colher ao longo do ano os frutos da reestruturação realizada em 2021 com a combinação dos negócios entre a Lojas Americanas e B2W Digital, apresentando lucro ao final de 2022. Já Magazine Luiza e Via, apesar de também estarem focando no incremento de suas margens, devem ser penalizadas pelo cenário adverso para venda de bens duráveis, conforme comentamos acima, e apresentar prejuízo neste ano. 
 
Em resumo, nossa preferência entre as três companhias é, no momento, a Americanas, seguida por Magazine Luiza e Via. Dado que ainda não vislumbramos arrefecimento das expectativas inflacionárias e perspectivas quanto ao fim do ciclo de aperto monetário, o que deve contribuiu positivamente para o desempenho dessas ações, mantemos nossas recomendações para AMER3, MGLU3 e VIIA3 em Neutra.
 
Evolução da Plano Estratégico
 
A estratégia da Americanas consiste em acelerar o seu crescimento orgânico priorizando as seguintes frentes de trabalho:
 
i.   Digital – ganhar participação de mercado com crescimento do marketplace e incremento o NPS do comércio eletrônico;
ii.  Física – expandir a área de vendas com diferentes tipos de lojas e aprimorar a experiência com novos layouts de loja;
iii. Fulfillment – expandir a entrega ultra rápida (em minutos), acelerar a constituição de dark stores (lojas focadas em armazenamento de produtos) e ampliar o corredor aéreo para reduzir o tempo de entrega do Cross Border;
iv.  Fintech – desenvolver soluções financeiras PJ e PF e implementar o programa de fidelidade;
v.   Publicidade – desenvolver novas soluções para os sellers e criar ofertas integradas multiplataforma;
vi.  Motor de Inovação – entrar em novas verticais de negócios. 
 
Dentre o progresso observado entre as prioridades, merece destaque a inauguração de 28 lojas (Americanas:9, Hortifruti Natura da Terra: 3, Uni.co: 4, e Vem: 12) e o crescimento das entregas em até 3 horas, que atingiram 34,9% do total, ante 14,3% no 1T21, reflexo da combinação dos negócios entre Lojas Americanas e B2W Digital, que permitiu a otimização da utilização das lojas físicas como hubs de distribuição.
 
Acerca da combinação dos negócios, destacamos algumas inciativas visando à captura de sinergia que se encontram ora em curso, como a alocação de destoque em lojas e CDs para acelerar o crescimento das entregas rápidas, a otimização da utilização de créditos tributários, ampliação da oferta de produtos e serviços financeiros pela AME, e transformação da experiência nas lojas, com mudança no layout, sortimento e uso de tecnologia.
 
Revisão de Preço
 
Nossa revisão do valuation da Americanas contempla:
 
•  A incorporação dos resultados referentes ao 1T22;
•  A atualização de premissas macroeconômicas, com piora da inflação e elevação da taxa de juros e taxa de desconto desde a nossa última revisão de preço; 
•   Elevação das vendas provenientes das lojas físicas refletindo a entrada do Hortifruti Natural da Terra na Americanas
 
Tese de Investimentos
 
A tese de investimento da Americanas contempla: 
 
(i)   a robusta estrutura logística já desenvolvida e agregando novas iniciativas com vistas a aumentar o nível de serviço; 
(ii)  o incremento no sortimento de itens e de sellers cadastrados no marketplace, com valor agregado aos serviços prestados aos mesmos; 
(iii) desenvolvimento de um super App e de soluções financeiras para os seus clientes, capazes de aumentar a recorrência de compras e frequência de uso do aplicativo, e 
(iv)  captura de sinergias após a combinação de negócios, contribuindo para ganho de rentabilidade.
 
Riscos
 
Os principais riscos à tese de investimento da Via são: 
 
(i)   impacto de investimentos em aquisição de cliente e no desenvolvimento da omnicanalidade acima do esperado; 
(ii)  incapacidade de atrair e reter os melhores sellers (vendedores) na sua plataforma de marketplace; 
(iii)  incapacidade de escalar e rentabilizar a solução financeira oferecida aos seus clientes (BanQi), assim como as novas soluções logísticas; e 
(iv)  incremento das provisões acima do esperado.
 
CONFIRA  no  anexo a íntegra do relatório elaborado a respeito por 
Georgia Jorge, CNPI, analista de investimento do BB Investimentos

Clique aqui para acessar o aquivo PDF

Fonte: GEORGIA JORGE, analista senior do BB Investimentos





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