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Investimentos

02 de Agosto de 2022 as 21:08:38



VALE - Resultado no 2º Trimestre/2022 e Revisão de Preço: FRACO


 
VALE  -  Resultado no 2º Trimestre/2022 e Revisão de Preço
Aquém do potencial e de nossas estimativas; novo preço 2023e
 
Por Mary Silva, CNPI
29.07.2022
 
Os números apresentados pela Vale no 2T22 foram, em geral, mais fracos do que o potencial da companhia e abaixo de nossas estimativas.
 
Mesmo com a ligeira recuperação de volumes de minerais ferrosos em relação ao 1T22, houve queda de margem – refletindo preços realizados mais baixos e elevação de custos. 
 
O segmento de metais básicos continua desapontando, conforme antecipado no Relatório de Produção e Vendas do 2T22, com piora no desempenho em função da queda de volumes e preços médios de cobre. O EBITDA ajustado foi de US$ 5,3 bilhões (-15,4% t/t), com perda de 10,4 p.p. t/t de margem EBITDA ajustada, para 47,1%, e o lucro líquido atingiu US$ 4,1 bilhões (-8,1% t/t).
 
Junto com a divulgação do resultado, a empresa anunciou a distribuição de US$ 3 bilhões de proventos (~US$ 0,66/ação | R$ 3,57/ação) a serem pagos no próxiimo 1º de setembro. O valor equivale a um yield de 4,4% sobre o preço médio da ação dos últimos 12 meses. Além disso, a empresa informou que já foram recompradas 114 milhões de ações do programa de recompra anunciado em abril (de até 500 milhões de ações).
 
Novo Preço-Alvo
 
Após a revisão de nosso modelo financeiro, incorporando o resultado do 2T22, a atualização das premissas de preço de minério de ferro e de câmbio, e as novas estimativas da empresa, apresentamos nosso novo preço-alvo 2023e de US$ 17,70 para VALE US e de R$ 92,00 para VALE3, com recomendação de Compra, corroborada também pelas perspectivas de retorno via dividendos e do programa de recompra de ações vigente.
 
Destaques operacionais e financeiros
 
No segmento de minerais ferrosos mesmo com a recuperação de volumes em relação ao 1T22 – conforme comentamos no Relatório de Produção e Vendas do 2T22 –, a combinação de menores preços realizados1 e maiores custos C12 e de frete resultou em um EBITDA ajustado de US$ 5,1 bilhões, que representa uma queda de 11,3% t/t e margem EBITDA ajustada de 57,0% (recuo de 9,4 p.p. t/t).
 
Em metais básicos, o EBITDA ajustado foi de US$ 603 milhões (-19,7% t/t), com queda de 6,7 p.p. t/t na margem EBITDA ajustada (para 32,2%), refletindo principalmente os fracos volumes de venda de níquel e cobre, a queda nos preços de cobre e a elevação de custos de produção.
 
No consolidado, a receita líquida atingiu US$ 9,0 bilhões (+3,2% t/t) e o EBITDA ajustado US$ 5,3 bilhões (-15,4% t/t), com perda de 10,4 p.p. t/t de margem EBITDA ajustada, para 47,1%.
 
O lucro líquido foi de US$ 4,1 bilhões (-8,1% t/t), refletindo também o resultado financeiro positivo – já que fatores positivos como (i) a marcação a mercado positiva das debêntures participativas e (ii) a variação cambial mais do que compensaram a elevação de despesas financeiras no período.
 
Destaque positivo para o novo avanço na geração de caixa livre, que, apesar do EBITDA mais baixo no 2T22, atingiu US$ 2,3 bilhões (ante US$ 1,2 bilhão no 1T22), como resultado principalmente da redução do capital de giro e do imposto de renda sazonalmente menor, ante o elevado valor pago no 1T22. Por outro lado, o desembolso de US$ 2,6 bilhões para recompra de ações e de US$ 1,3 bilhão para aquisição de bonds contribuíram para a redução de quase US$ 1,8 bilhão no caixa, que encerrou o período em US$ 7,2 bilhões.
 
Ainda assim, a dívida líquida expandida recuou para US$ 18,5 bilhões (de US$ 19,4 bilhões no 1T22), refletindo a desvalorização cambial no período. Vale lembrar que recentemente a meta de alavancagem foi alterada para US$ 10 a 20 bilhões de dívida líquida expandida (anteriormente o limite era US$ 15 bilhões).
 
Ainda sobre o programa de recompra de ações anunciado em maio/22 (de até 500 milhões de ações), já foram adquiridas 114 milhões de ações até o momento (~23% do total). Adicionalmente, a empresa anunciou a distribuição de US$ 3 bilhões em proventos (~US$ 0,66/ação) a serem pagos em 1 de setembro – o montante se refere ao resultado do primeiro semestre e equivale a R$ 3,57/ação, sendo R$ 2,03/ação a título de dividendos e R$ 1,54/ação em juros sobre o capital próprio. 
 
Segundo a companhia, a estratégia de consistência em dividendos será mantida de acordo com a política de distribuição (= 0,3 x [EBITDA projetado - investimento corrente]). Com relação a pagamentos extraordinários, só deverão ocorrer se houver melhora significativa das condições de mercado e, consequentemente, do nível de geração de caixa nos próximos trimestres. 
 
Perspectivas
 
Na visão da companhia, as perspectivas para o 2S22, de forma geral, são de melhora em relação à primeira metade do ano, não apenas por ser um período sazonalmente mais forte, mas também 
 
i)  pelos possíveis estímulos do governo chinês à economia, de forma a recuperar o fraco ritmo da atividade no 1S22 e se aproximar da meta de crescimento do PIB para o ano; 
ii) pela melhora dos investimentos em infraestrutura na China, cujas obras se atrasaram em função dos lockdows, embora o risco de novos fechamentos deve permanecer no radar em função da política de Covid zero; 
iii) pela resiliência da demanda de pelotas, que deve contribuir para sustentar prêmios de qualidade;
iv) pela retomada das operações de metais básicos da Vale, com expectativa de operar algumas plantas de níquel com altas taxas de utilização; e 
v) pela perspectiva de melhora no ambiente para custos, que devem se estabilizar no mesmo patamar de 2021. 
 
Apesar disso, em nossa visão, o cenário está mais desafiador no curto prazo, considerando o risco de recessão em importantes regiões, como EUA e Europa, que podem contribuir para um arrefecimento da demanda de aço, e consequentemente influenciar a dinâmica global de minério de ferro. Vale lembrar que a empresa revisou para baixo seu guidance de produção de minério de ferro e cobre para 2022.
 
Além disso, olhando a longo prazo, embora a companhia continue buscando a retomada da capacidade de produção de minério de ferro de 400 Mtpa, o processo está enfrentando mais desafios do que o esperado, incluindo o processo de licenciamento mais rigoroso.
 
O aumento das preocupações com a demanda de minério de ferro na China e a expectativa de um menor crescimento do PIB global em 2022 e 2023 têm pesado sobre os papéis da Vale nos últimos meses. No acumulado de 2022 até o dia 28/07, as ações VALE3 se desvalorizaram 5,8%, ante uma valorização de 2% do Ibovespa no período.
 
Em nossa visão, no curto prazo, esse cenário de incertezas continuará trazendo volatilidade às cotações do minério de ferro e, consequentemente, aos papéis da Vale e das empresas do setor.
 
No entanto, entendemos que as ações seguem descontadas e poderão reagir positivamente no médio prazo, já que, mesmo considerando o cenário mais desafiador, a empresa ainda deverá continuar entregando resultados satisfatórios nos próximos trimestres – embora aquém dos fortes números observados em 2021. 
 
Após a revisão de nosso modelo financeiro, conforme detalhado nas próximas páginas, incorporando principalmente 
 
(i)   o resultado do 2T22, 
(ii)  preços de minério de ferro, metais e taxa de câmbio ligeiramente mais baixos e 
(iii) as novas estimativas da empresa, com revisão para baixo da produção de minério de ferro e de cobre em 2022, apresentamos nosso preço-alvo 2023e, de US$ 17,70 para VALE US e de R$ 92,00 para VALE3, com recomendação de Compra, corroborada também pelas perspectivas de retorno via dividendos e programa de recompra de ações.
 
Confira no anexo a íntegra do relatório a respeito, elaborado por
MARY SILVA, CNPI, anaista senior do BB INVESTIMENTOS

Clique aqui para acessar o aquivo PDF

Fonte: MARY SILVA, analista senior do BB INVESTIMENTOS





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