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Investimentos

Quarta-Feira, Dia 11 de Março de 2020 as 01:03:46



RENDA FIXA - Mercado Secundário de Debêntures sob Ótíca de Risco em 09.03.2020



RENDA FIXA - Debêntures, CRA e CRI no Mercado Secundário
sob a Ótica dos Retornos
 
por Renato Odo, CNPI-P, em 09.03.2020
Dinâmica do Mercado
 
A reversão altista do CDS Brasil, destacada no último estudo, se confirmou na semana e passa a sinalizar novos impactos sobre a renda fixa local
 
Cenário
 
As medidas de cautela, tão desejadas pelo mercado no encontro do G7, não se concretizaram. Os agentes precificavam a expectativa de uma ação coordenada de política monetária, por parte das maiores economias, mas, de forma surpreendente, isto não ocorreu. Por outro lado, paradoxalmente, o comitê de politica monetária dos EUA decidiu cortar o juro básico do país, fora do esperado, mediante anúncio extraordinário, e os mercados reagiram de modo fortemente negativo.
 
Naquele mesmo dia, embora o primeiro movimento intradiário tenha sido aparentemente positivo nos principais mercados, o contexto interpretado pelos agentes, após as declarações da autoridade monetária, foi de um agravamento das condições anteriores, envolvendo a crise sanitária do coronavírus e os potenciais prejuízos econômicos associados.
 
Como resultado, nem mesmo os dados positivos do emprego nos EUA (payroll) foram suficientes para atenuar a pressão vendedora global, levando o índice de volatilidade VIX a repetir os níveis registrados na crise subprime (em 2008) e o dólar a renovar recordes de alta frente ao real. A curva dos US Treasuries voltou a recuar, intensificando a inclinação negativa e concentrando-a em um prazo mais curto, até o primeiro ano, como sinal de agravamento das expectativas atuais.
 
Assim sendo, a maior volatilidade e os vetores de baixa passam a pressionar com mais força a renda fixa doméstica, após ter impactado duramente a Bolsa e o câmbio. Particularmente o perfil do agravamento do CDS e do dólar passam a exercer pressão mais contundente sobre os mercados de renda fixa e de renda variável.
 
Mercado de Renda Fixa
 
A estrutura do DI Futuro repetiu o movimento anterior, recuando os juros curtos e médios, em maior proporção, e elevando a ponta longa, com volume acentuado (média diária de 4.480,5 mil) e aumento da inclinação positiva, medida entre jan/2021-jan/2023. A configuração se mantém levemente negativa até ago/2020 e se torna positiva a partir de out/2020.
 
O movimento acompanhou a forte alta do dólar frente ao real e do CDS Brasil, elevando os vértices longos, e o enfraquecimento das expectativas com a atividade econômica, após o primeiro caso do coronavírus no País, o que contribuiu para a ponta curta deixar a quase estabilidade observada até jan/2021, no início da semana, para a atual inclinação negativa, no mesmo período.
 
A agenda exerceu menor influência, com incremento do PMI da manufatura (de 51,0 para 52,3 entre jan-fev), alta do PIB brasileiro em 1,1% (a/a acumulado em 4 trimestres), dentro da expectativa, e o payroll positivo nos EUA (com criação de 273 mil vagas, acima da estimativa de 175 mil); porém, com forte retração do PMI da China (de 51,1 para 40,3).
 
A curva da NTN-B sofreu recuo em praticamente toda a extensão, de modo mais intenso até mai/2025. O retorno médio dos papéis variou de 2,498% para 2,391% (considerando o yield médio da curva em todos os vencimentos), com o maior em 3,603% e o menor em 0,525%; os mais voláteis foram os títulos de ago/2020 a ago/2024.
 
A renda fixa privada passa a confirmar um cenário baixista, apesar de breves correções de curto prazo, seguindo a forte pressão por prêmios de risco
 
Debêntures no Secundário
 
Após um forte movimento de queda de preços, sofrido nos últimos dias desde o Carnaval, as debêntures no secundário passaram a apresentar uma ligeira variação positiva, mas, até o momento, apenas em caráter de correção, não configurando um retorno à tendência de alta. Entre as quedas, o destaque continuou sendo os setores de transportes e logística e commodities, como se observa entre os papéis de Petrobras, Vale e Rumo (que opera o transporte ferroviário de grãos), além de GRU Airport.
 
De fato, diferentemente do comportamento das debêntures, as principais medidas de prêmio de risco não sinalizaram arrefecimento nos últimos dias e, na mão oposta, acumulam forças de alta. Com este cenário, as valorizações pontuais observadas na renda fixa privada não se apoiam em movimentos consistentes, sugerindo prudência em estratégias mais longas.
 
Além disso, o mês de fevereiro se encerrou com recuo de volume financeiro, em -21%, na comparação com o acumulado em janeiro, e -27%, frente à média do trimestre nov-jan, confirmando o quadro mais cauteloso por parte dos investidores.
 
Confira no anexo a íntegra do relatório de análise do Mercado Secundário de Renda Fixa sob a Ótica de Risco, em 09.03.2020, elaborado por RENATO ODO, CNPI-P, integrante do BB Investimentos.

Clique aqui para acessar o aquivo PDF

Fonte: RENATO ODO, CNPI-P, integrante do BB Investimentos.





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