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Internacional

Segunda-Feira, Dia 17 de Julho de 2017 as 10:07:00



VENEZUELA - Plebiscito tem participação de 95% do eleitorado


 
O presidente da Assembleia Nacional da Venezuela, Julio Borges, disse que, como a oposição conseguiu quase sete milhões de votos a favor da sua proposta no plebiscito contra o governo, o resultado deixa o presidente do país, Nicolás Maduro, praticamente "revogado".
 
"Com os votos do povo venezuelano, matematicamente Nicolás Maduro está revogado no dia de hoje. Esse era o medo que [ele] tinha do plebiscito revogatório e, por isso, impediu; por isso o governo não quer fazer eleições nunca mais",
 
disse Borges após conhecer os resultados eleitorais.
 
O opositor assegurou que a denominada consulta popular aconteceu "com total beleza e confiança" e que os venezuelanos contaram com menos centros de votação do que em qualquer outra disputa nacional.
 
"No entanto, o povo superou todos os obstáculos, não somente o de haver menos lugares para votar, mas também superou o medo, superou a violência, superou as ameaças do governo aos funcionários públicos, às pessoas que recebem programas sociais",
 
prosseguiu Borges.
 
A chamada comissão de fiadores do plebiscito opositor informou antes, com base em 95% do total de votos, que 7.186.170 de venezuelanos participaram da consulta feita à margem do poder eleitoral e que pelo menos 98% dos eleitores votaram sim nas três perguntas.
 
"Esperamos o número final que será divulgado [hoje, 17]  para que nós possamos ter a certeza de que vamos conseguir a mudança democrática no país",
 
finalizou.
 
Atentado
 
Uma mulher morreu e outras três pessoas ficaram feridas num subúrbio da capital, Caracas, enquanto esperavam para votar. Os oposicionistas atribuíram o ataque a grupos de paramilitares governistas, que teriam disparado na multidão e fugido de moto.
 
O governo ignorou o plebiscito, que considera inválido, por ter sido feito à revelia e sem a participação do CNE Conselho Nacional Eleitoral. No mesmo dia em que os lideres oposicionistas mobilizavam eleitores na Venezuela e no exterior,  o presidente Nicolás Maduro convocava a população a votar na simulação da eleição do dia 30 de julho, para escolher os membros da Assembleia Nacional Constituinte, responsáveis pela reforma constitucional.
 
 
Três Perguntas à População
 
No final do dia,  a oposição comemorou a alta participação no que chamou de “maior ato de desobediência civil” da recente história. No plebiscito, os eleitores responderam a três perguntas: se rejeitam a Assembleia Nacional Constituinte; se as Forcas Armadas devem defender a atual Constituição; e se querem eleger um novo governo de unidade nacional.
 
Os resultados da votação não são vinculantes.  Mas para os 30 partidos oposicionistas da MUD Mesa de Unidade Democrática, o que importava era mostrar seu poder de convocação e o apoio a sua proposta de antecipar as eleições presidenciais de 2018, para sair da crise.
 
Pelas contas da oposição, mais de sete milhões dos 19,5 milhões de eleitores compareceram às mesas de votação, montadas em toda Venezuela e em vários países (desde Arábia Saudita e Finlândia, até a Espanha, EUA e América Latina, onde a presença venezuelana é maior).
 
 
Alta participação na consulta popular
 
Segundo a reitora da Universidade Central da Venezuela, Cecilia Garcia Arocha, a participação foi alta, levando-se em conta que havia sete vezes menos mesas de votação do que numa eleição nacional e que o plebiscito foi organizado em duas semanas, por 50 mil voluntários e sem a estrutura do governo. Arocha integra o grupo de acadêmicos que monitorou a consulta popular.
 
Já o presidente Nicolás Maduro considera que o resultado do plebiscito foi “desmoralizante” comparado com a participação na simulação para a eleição da Assembleia Nacional Constituinte.
 
A oposição vai boicotar a votação do dia 30, por considerá-la uma manobra de Maduro para reescrever a Constituição e se perpetuar no poder,  apesar da crescente insatisfação da população com o desabastecimento e a inflação anual de mais de 700%.
 
 
Assembleia: Decisões anuladas pela Suprema Corte
 
A crise econômica, agravada pela queda do preço do petróleo (principal produto de exportação venezuelano), determinou a vitória da oposição nas eleições legislativas de 2015. Pela primeira vez em 18 anos de governos socialistas, os oposicionistas controlam o Congresso. Mas suas decisões têm sido anuladas pela Suprema Corte que, segundo a oposição, é aliada de Maduro.
 
Desde abril, a Venezuela tem sido palco de protestos contra e a favor do governo, que resultaram na morte de pelo menos 95 pessoas. Maduro tem acusado a oposição de estimular a violência e prometeu reagir com força, se necessário. Mas a oposição – e o Ministério Publico venezuelano – responsabilizam a repressão e o governo. 
 
Vários governos, além do secretário-geral da OEA Organização dos Estados Americanos, Luis Almagro, têm criticado a Venezuela pela falta de independência dos três poderes. Desde março, quando começou a criticar abertamente o governo, a Procuradora-Geral Luisa Ortega tem sido alvo de investigações, cujo objetivo é tirá-la do cargo. A oposição teme que o primeiro passo da Constituinte será dissolver o Parlamento.


Fonte: AGENCIA BRASIL





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