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Investimentos

15 de Abril de 2021 as 03:04:26



VIA VAREJO - Revisão de Preço Alvo das Ações - por Restrições ao Comércio Físico



VIA VAREJO - Revisão de Preço Alvo das Ações
 
Transformação em curso vem gerando bons resultados 
 
Após revisarmos nosso valuation de Via Varejo para incorporar os resultados referentes ao 4T20, bem como as novas medidas de restrição ao comércio físico em decorrência da 2ª onda do Covid-19, nosso novo preço-alvo de VVAR3 para o final de 2021 é R$ 18,50 (antes R$ 24,80), com manutenção da recomendação de Compra.
 
Desempenho das Ações. 
 
Os papéis VVAR3 acumulam alta de 132,2% nos últimos doze meses, apesar de apresentarem queda de 22,0% desde o início deste ano. O recente desempenho, ao nosso ver, está relacionado principalmente ao impacto da elevação da taxa de desconto sobre os papéis ligado ao e-commerce.
 
Apesar do nosso novo preço-alvo incorporar o aumento da taxa de desconto, bem como um cenário mais desafiador em 2021, o preço corrente do papel não reflete o preço justo de VVAR3,  dado que a companhia vem apresentando evolução do seu modelo de negócios trimestre após trimestre, de forma a não ficar para trás na corrida do varejo omnicanal. 
 
Nesse contexto, mantivemos nossa recomendação de Compra.
 
Evolução do Plano Estratégico. 
 
Os pilares estratégicos definidos pela Via Varejo para nortear sua atuação ao longo de 2020 consistem na expansão das lojas físicas em novas áreas geográficas, desenvolvimento da plataforma omnicanal integrada e aprofundamento do processo de transformação digital. Apesar da pandemia do Covid-19 ter dificultado a execução do plano de expansão, a companhia foi capaz de aproveitar a oportunidade para evoluir nos demais pilares estratégicos. 
 
(i)  Expansão das lojas físicas – o plano de abertura de 70-90 lojas para 2020 foi revisado ao longo do ano em função da pandemia do Covid-19, com a companhia encerrando o ano com a abertura de 23 lojas ao todo;
 
(ii) Plataforma omnicanal – transformação de 500 lojas em mini-hubs (lojas físicas que auxiliam na entrega de compras on-line) para acelerar a entrega Ship From Store, modalidade na qual o produto vendido on-line é estocado na loja física. A companhia adquiriu, em abril de 2020, a Asaplog, plataforma logística para a entrega last mile(última milha) e iniciou os testes do sistema próprio de envios de mercadorias de lojistas do marketplace (Envvias);
 
(iii) Transformação digital – implementação do vendedor on-line e da plataforma “Me Chama no Zap” logo no início da pandemia. Além disso, houve a entrega de um novo processo de onboard (cadastramento de lojistas no marketplace). Ao longo de 2020, a companhia ainda adquiriu a startup Distrito, um hub de inovação que apoia empresas através da tecnologia, e a I9XP, empresa de tecnologia especializada no desenvolvimento de soluções para o e-commerce.
 
Desempenho econômico-financeiro em 2020. 
 
As vendas totais (GMV, na sigla em inglês) cresceu 19,6% a/a. Apesar das lojas físicas terem contribuído negativamente, com uma queda de 14,2% a/a, o canal on-line, tanto tradicional (1P), quanto do marketplace (3P) apresentaram crescimentos robustos de 174,0% e 89,9% a/a, respectivamente. Como resultado, a receita líquida atingiu R$ 28,9 bilhões, 12,7% superior na comparação anual.
 
A margem bruta veio em 32,8%, 4,1 p.p. superior a/a, favorecida por iniciativas ligadas à renovação de estoque, maior penetração do crediário e nova estratégia comercial implementada desde o início da nova gestão. A margem ainda foi favorecida por eventos não recorrentes que, se excluídos, levariam a margem bruta a 29,9%, +0,9 p.p.a/a.
 
A margem EBITDA Ajustada, por sua vez, atingiu 10,1%, +5,9 p.p. a/a, favorecida por um maior controle das despesas de VG&A ao longo do ano, combinado com um ganho de alavancagem operacional decorrente do crescimento da receita líquida. Ao excluirmos o impacto de eventos não recorrentes, a margem EBITDA Ajustada teria atingido 8,0%, 1,2 p.p. superior na comparação anual.
 
Por fim, a margem líquida veio em 3,5%, revertendo o prejuízo observado no ano anterior (-1,9%). Além de refletir o ganho de margem operacional, o resultado líquido ainda foi favorecido por uma queda de 27,7% no resultado financeiro líquido. Se excluirmos os eventos não recorrentes, a margem líquida teria sido de 0,6%, 2,4 p.p. superior a/a.
 
No que se refere à estrutura de capital da companhia, observamos que houve um acréscimo de R$ 2,3 bilhões no endividamento bruto, mas melhoria da posição de caixa líquido em R$ 1,8 bilhão, com a relação caixa líquido/EBITDA Ajustado vindo em 1,4x. 
 
Já em relação aos investimentos do período, o Capex totalizou R$ 436 milhões, o que corresponde a 1,2% do GMV total. Desse montante, cerca de 11,2% foi direcionado para investimentos em logística, 12,6% em novas lojas, 10,8% em reforma de lojas, 59,4% em TI e 6,0% em outros. 
 
Perspectivas.
 
A Via Varejo segue focada nos três pilares estratégicos acima elencados e, em 2021, pretende avançar em cada um com iniciativas já em curso. Em relação à expansão das lojas físicas, a companhia pretende retomá-la este ano com a abertura de 100-120 lojas ao todo e foco nas regiões Norte e Nordeste.
 
Já na omnicanalidade, a companhia pretende acelerar as entregas na modalidade Ship From Store, o que deve impulsionar a entrega no mesmo dia, bem como escalar a solução de logística para os lojistas do marketplace, a Envvias.
 
Já no aspecto da transformação digital, destacamos o foco de ampliar o segmento do marketplace no consolidado da companhia, mediante melhorias nos processos de onboarding, entrada em novas categorias de produtos, melhoria dos níveis de serviços e crediário para os clientes do marketplace.
 
 
Vale observar que, apesar de esperarmos que a maturação de iniciativas em andamento contribua positivamente nos resultados deste ano, as novas medidas de restrição ao comércio físico e o fim do auxílio emergencial devem pesar negativamente na balança, adicionando uma pressão sobre os resultados. 
 
Revisão de Preço. 
 
Nossa revisão de preço contempla a incorporação dos resultados referentes ao 4T20 e
 
(i) menor crescimento de vendas nas lojas físicas e no 1P em decorrência do impacto da 2ª onda do Covid-19, combinada ao fim do auxílio emergencial; 
 
(ii) crescimento mais expressivo das vendas do marketplace em função da maturação de iniciativas relacionadas a esse canal, como o Envvias e o novo processo de onboard; 
 
(iii) maior pressão sobre margem EBITDA Ajustada e margem líquida em decorrência dos ajustes no crescimento da receita total.
 
Tudo considerado, nosso novo preço-alvo de VVAR3 para o final de 2021 é de R$ 18,50 (antes R$ 24,80), com manutenção da recomendação de Compra.
 
Tese de Investimento. 
 
A tese de investimento da Via Varejo baseia-se 
 
(i) na ampla rede de lojas e centros de distribuição combinados com uma nova estrutura digital, criando a logística omnicanal; 
 
(ii) no desenvolvimento das sinergias existentes entre o varejo e sua fábrica de móveis Bartira, contribuindo para incremento de margens; 
 
(iii) investimentos em novos produtos e serviços além do varejo; e 
 
(iv) robusta base de clientes de serviços financeiros, mediante a realização de vendas a prazo no crediário.
 
Riscos. 
 
Os riscos existentes à tese de investimento da Via Varejo são: 
 
(i) impacto de investimentos em aquisição de cliente e no desenvolvimento da omnicanalidade acima do esperado; 
 
(ii) incapacidade de atrair e reter os melhores sellers (vendedores) na sua plataforma de marketplace; 
 
(iii) incapacidade de escalar e rentabilizar a solução financeira oferecida aos seus clientes (BanQi); e 
 
(iv) incremento das provisões com devedores duvidosos acima do esperado.
 
ESG.
 
O rating ESG da Via Varejo, atribuído pela Refinitiv, é C (C+ no pilar ambiental, B no pilar social e C no pilar Governança), com apontamento de controvérsias envolvendo práticas contábeis (rating C-). 
 
Desde 2013, a companhia publica relatórios anuais com indicadores e impactos socioambientais. Dado que, desde o nosso último relatório analisado aspecto ESG da companhia (veja aqui), não houve a divulgação de um novo relatório de sustentabilidade, destacamos alguns pontos elencados pela companhia quando da divulgação do seu resultado em 2020. 
 
No aspecto ambiental, a Via Varejo triplicou o número de coletores de eletroeletrônicos usados nas lojas, enviou 5 mil toneladas de material para reciclagem em conjunto com 11 cooperativas parceiras e ontratou duas usinas solares para geração de energia elétrica em 57 filiais no estado do Rio de Janeiro a partir de 2021 (atualmente, 79 lojas em Minas Gerais, já contam com energia gerada por usina solar). Já no aspecto social, houve um incremento de 74% em investimentos realizados pela Fundação Casas Bahia.
 
Confira no anexo a íntegra do relatório a respeito, elaborado por
GEORGIA JORGE, CNPI, analista senior do BB INVESTIMENTOS

Clique aqui para acessar o aquivo PDF

Fonte: GEORGIA JORGE, CNPI, analista senior do BB INVESTIMENTOS





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